02/12/2012

 foot

Domingo, dia de missa de manhã, de pasta  no almoço e de futebol  no final da tarde. Hoje termina o Brasileiro, com o espetacular título conquistado pelo meu amado e eterno Tricolor, o clube mais tradicional e fidalgo do Brasil e, desde sua fundação em 21 de julho de 1902, verdadeira fábrica de títulos. É claro que estou feliz, muito feliz.

Mas quero deixar a comemoração de lado para falar de comportamentos muito tristes e que revelam impressionante falta de ética e rompimento com o verdadeiro espírito esportivo. Refiro-me a atitudes reprováveis da maioria dos que estão envolvidos profissionalmente com nosso  esporte favorito: jogadores, árbitros, dirigentes, técnicos, jornalistas, torcidas e, até, políticos, sem nos esquecermos da Fifa. Vamos lá então:

 

 Nossos jogadores, quase sem exceção, atiram-se ao chão e rolam soltando ganidos de cachorros atropelados a qualquer choque com adversários, na tentativa de influenciarem os juízes. Quando cometem faltas, levantam os braços incontinenti, querendo fazer todos crerem que não as fizeram. Quando recebem uma entrada mais dura, dirigem-se ao árbitro sacudindo a mão direita, para coagir o homem do apito a aplicar o cartão amarelo. Se um atacante adversário cai dentro da área para cavar um pênalti inexistente, os zagueiros partem para cima dele metendo o dedo em sua cara, quando essa admoestação caberia exclusivamente ao juiz. Na semana retrasada, um jogador brasileiro que atua no exterior, em jogada em que deveria devolver, por uma questão de fair play, a bola à equipe adversária, recebeu-a, partiu célere contra o gol adversário e, diante de um goleiro estupefato, mandou-a para as redes. Gol. Gol contra a ética! Sua punição? Ora, apenas um jogo. Há, ainda, os que dirigem gestos obscenos às torcidas adversárias, mostrando a educação primorosa que receberam em suas casas. Todos esses comportamentos deveriam ser intoleráveis, absolutamente intoleráveis, mas passaram a ser lugar comum, sob a complacência dos árbitros e das famigeradas comissões de arbitragem.

Nossos árbitros, por sua vez, são complacentes demais com o que acabamos de escrever, escapa-lhes autoridade para impor sua condição de autoridade máxima dentro de campo. Alguns deixam o jogo correr, não marcando faltas claras; outros param o jogo a qualquer sopro que um jogador dê e que desalinhe um reles fio de cabelo de um adversário. Ora bolas, faltas são faltas, todas devem ser apitadas e ponto final. Há também os chamados árbitros "caseiros", que se esforçam com denodo para sempre dar uma ajudazinha ao time que tem o mando de campo. São, todos, comportamentos também inadmissíveis. 

Dirigentes então - não todos, naturalmente - de uns tempos para cá vêm frequentando os noticiários policiais. Quando são dirigentes de um clube, isso é lamentável, mas quando são da CBF a coisa adquire ares absolutamente inaceitáveis, por indicarem comportamentos imorais de quem deveria dar exemplos. Outros vivem a reclamar das arbitragens quando julgam que seus times são prejudicados, mas calam-se quando são favorecidos. E a CBF é alheia ao salutar princípio da subsidiariedade, porque centraliza tudo e vive nababescamente, enquanto clubes tradicionais estão à míngua. 

Técnicos - conhecidos também como "professores doutores" - enfeiam propositalmente o jogo e mandam seus "volantes de contenção" brandirem suas chuteiras e revezarem-se em pancadas sobre os adversários mais hábeis. Quando um desses agressores recebe um cartão amarelo, os "professores" o substituem por outro, para que a "contenção" tenha seguimento.

viol

 Jornalistas e comentaristas de arbitragem há que mais parecem torcedores, tal a sua parcialidade escrita e verbal, ao comentarem jogos. Pênaltis contra seus times de coração nunca são comentados como tal e os inexistentes a favor de seus clubes são classificados como "pênaltis claros". Muitos jornalistas bajulam tanto os jogadores que se pode pensar que estes são verdadeiros heróis nacionais dignos de veneração. Estragam promessas de craques antes que cheguem a desabrochar. E certas emissoras de televisão atuam como extensões das sedes sociais dos clubes pelos quais, literalmente, torcem em pleno ar. Brigaram com a ética.

Tocidas, especialmente algumas das organizadas, tratam o esporte como uma guerra e os torcedores adversários como inimigos a serem espancados, cuspidos e, até, mortos. Esquecem-se de que o futebol é (ainda) um esporte, em que adversários não são algozes ímpios na guerra travada dentro de campo.

Os políticos? Com a proximidade da Copa de 14 e das Olimpíadas de 16 estes vislumbraram excelentes oportunidades para aparecerem e, naturalmente, ganharem votos. Por exemplo, o que nosso ministro dos Esportes entende de...esportes? Talvez o mesmo que um mosquito entenda de física quântica...

Por fim, a outrora discreta e respeitada Fifa, a par de escândalos de corrupção que vieram à tona, transformou-se em palanque para dirigentes vaidosos e em uma poderosa Ong politicamente correta e com seus cofres repletos de francos suíços.

As pessoas de bem ligadas ao esporte têm o dever de lutar para que tenham fim essas agressões à ética, todos esses ataques a princípios morais essenciais, todos esses comportamentos de bandidos. Estão matando a beleza e subvertendo o próprio ethos do esporte.