03/12/2012

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Desde que o keynesianismo ganhou notoriedade e imediatamente invadiu os currículos dos cursos de Ciências Econômicas em praticamente todas as universidades do mundo, os economistas têm sido treinados para intervir no processo de mercado, sob os mais diversos pretextos. Com efeito, a partir dos anos 30 do século passado, multiplicaram-se disciplinas como Macroeconomia, Política Fiscal, Política Monetária, Pesquisa e Planejamento Econômico, Organização Industrial, Política Tributária e muitas outras de tonalidades intervencionistas. O uso crescente do instrumental matemático e o grande desenvolvimento de técnicas econométricas sofisticaram as recomendações dos economistas para os governos. Nos cursos de Microeconomia, os livros textos passaram a gastar páginas e mais páginas para explicar alegadas “falhas de mercado”, deixando de mencionar duas grandes verdades: a primeira é que mercados não têm “falhas”, no sentido de que funcionam sempre, quaisquer que sejam as circunstâncias de tempo e de lugar; e a segunda é que as falhas do governo, essas sim – é que desorganizam a ordem econômica natural e espontânea que só pode germinar em economias de mercado.

 

Quase todos os economistas do planeta, incluindo os que se dizem defensores do livre mercado, como os monetaristas, passam as suas vidas acreditando que possuem o poder extraordinário de receitar “medidas” e “planos” mirabolantes para os governos, baseados na falsa ciência que lhes foi ensinada e assim melhorarem a vida de pessoas e a economia de países. E praticamente todos, já que não os ensinaram a pensar com a visão abrangente e multidisciplinar que só a Praxeologia pode proporcionar, passam trinta, quarenta anos repetindo e transmitindo para gerações sucessivas as receitas intervencionistas que lhes foram ensinadas, primeiro nas faculdades e depois, com maior sofisticação matemática e econométrica, nos cursos de mestrado e doutorado.

Esse direcionamento tomado pelos cursos de Economia tem sido fatal. Entretanto – e desafortunadamente - se fosse fatídico apenas para os economistas e seus professores, o problema seria exclusivo deles, mas a grande questão é que o fato de os economistas serem treinados, qual macaquinhos amestrados, a intervir nos mercados para consertar suas “falhas”, acaba afetando negativamente a vida de muitos milhões de pessoas, que nada têm a ver com o peixe. Mas que, ao fim e ao cabo, são obrigados pelo Estado a pagar a conta.

O sonho de quase todos os novos doutores em Economia é conseguir um emprego no governo e aplicar as técnicas de intervenção que aprenderam, acreditando que isso é um ato de patriotismo. Quantos de meus colegas de doutorado sonhavam serem presidente do Banco Central ou ministro da Fazenda! (Devo dizer que fui um desses, antes de ler Ação Humana). Boas intenções, péssimos resultados!

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Ludwig von Mises, para mim o maior dentre todos os economistas de todos os tempos, dizia que o principal papel dos economistas é dizer aos governos o que eles não devem fazer. Como sempre, o “velhinho” de Viena acertou na mosca! Se o presidente ou primeiro ministro de qualquer país perguntar a um economista austríaco o que fazer para acabar com a crise que vem solapando as economias, ele certamente dirá o mesmo que Hayek disse nos anos 30: “Nada, a não ser esperar até que os maus investimentos que os senhores mesmos provocaram com suas políticas expansionistas, sejam naturalmente eliminados”! Isso pode soar como um conselho antipático e que lhes roube votos, mas é o único baseado na boa teoria econômica. Por isso, obviamente, governos costumam detestar os conselhos de Mises, Hayek e dos austríacos. Preferem agir como Esaú - aquele sujeito do Velho Testamento que trocou os privilégios de sua primogenitura por um prato de lentilhas, pois estava com fome -, e dar ouvidos aos simpáticos e bem falantes intervencionistas sempre de plantão... Colhem frutos no presente e criam problemas para o futuro, com prejuízos para as gerações seguintes. E assim caminha a humanidade.