04/12/2012

torreA piada da vez é a seguinte: estados e municípios não produtores de petróleo terão que aplicar em educação as polpudas receitas provenientes dos royalties com que, estapafurdiamente, vão ser contemplados à custa dos pagadores de tributos daqueles que produzem o valorizado fóssil, a saber, Macaé, Vitória e Santos e, naturalmente, os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Puxa vida, como nossos congressistas são bonzinhos, como se preocupam com a educação do povo, como professam a fé cega de que o petróleo pertence a "todos os brasileiros"! E como acreditam piamente que para enriquecer pobres é preciso empobrecer "ricos"!

Quem conhece bem a terra de Macunaíma e os meandros bolorentos e fétidos da nossa política com suas seculares nuances de paternalismo, especialmente na maioria dos estados e municípios nordestinos, deve estar muito feliz com tão caridoso intento, pois sabe que, de fato, os recursos serão aplicados em educação: sim, educação de filhos e filhas de prefeitos e governadores em colégios suíços, anuidades para custear parentes de coronéis em escolas francesas e inglesas, bolsas de estudo para familiares de secretários e políticos em high schools colleges nos Estados Unidos...

 

espadaPor favor, não pensem que estou aqui a propugnar que os recursos dos royalties devam ser realmente direcionados em sua íntegra para a educação. Primeiro porque, como apontei em postagem de 26 de novembro último, “royalties nada mais são do que tributos disfarçados com um nome inglês e, como tal, fazem cair os investimentos e diminuem o nível de emprego e, outra vez, o prejudicado é o consumidor”; segundo, porque sou contrário a que o Estado tome a frente da educação; e terceiro, para não me alongar, porque nosso modelo de educação é dirigido pelo Estado, em que burocratas e pedagogos de gabinete dão as ordens, enquanto professores se esgoelam em salas de aula, muitas vezes sem condições mínimas de serem utilizadas para sua nobre – e desvalorizada – tarefa e assim sendo é uma estrutura tremendamente sugadora de recursos e ineficiente; e, por fim, porque nossa educação oscila qual um pêndulo (no caso, semelhante à ameaçadora espada de Dâmocles), entre a má tradição positivista e o péssimo “progressivismo” à la Paulo Freire, um pedagogo que jamais educou uma criança sequer, mas que, por suas inclinações marxistas, é endeusado pela esquerda. Como observou meu amigo Jeffrey Baldez, “não haveria melhora nem se toda a riqueza existente no país fosse investida nela [a educação]”.

Voltando às preliminares, quem pode duvidar que a arrecadação da extinta CPMF  foi realmente destinada para a saúde pública? Ou que a receita do IPVA é aplicada para melhorar nossas estradas? Quem desconfia de que a eufemística contribuição social serve de fato aos cidadãos? E quem pode ter o desplante de, impatrioticamente, não admitir que os  royalties vão ser mesmo destinados à educação sem nepotismos de qualquer espécie? mané

Quer saber de uma coisa? Conta outra, vai, seu mané! E vê se aproveita para ir, à falta de substância mais apropriada - e de consistência pastosa -, lamber sabão! A piada que vocês aprovaram no Congresso é de péssimo gosto e não tem a menor graça!

Parodiando aquele dito popular disjuntivo: ou o Brasil acaba com as sanguessugas ou as sanguessugas acabam com o Brasil. Aliás, esses sugadores do dinheiro alheio já vêm, há tempos, se empenhando impiamente para isso.