06/12/2012

corretoTudo deve ter um limite nesta vida, mas esse não parece ser o entendimento desses grupos politicamente corretos - uma torre de Babel de Ongs, governos, jornalistas, ensaístas, economistas, vigaristas, defensores de "direitos humanos", ordens e conselhos de profissionais liberais, "entidades" (que não são aquelas dos centros espíritas), Banco Mundial, Unesco, Onu, associações de gays, lésbicas e congêneres, grupos racialistas que assumem posições claramente racistas, defensores de cotas, feministas, "movimentos sociais"...

É uma Babel diferente, porque, nela, todos falam a mesma linguagem, o nefando dialeto politicamente correto!

 

Esses ditadores berram como carusos de banheiro, sustentados por um misto de ignorância, admiração e síndrome de Estocolmo de que padece praticamente toda a população brasileira e mundial, que a leva a se apaixonar por seus algozes, carrascos que têm a petulância de querer até ensinar como devemos e não devemos nos expressar, o que podemos e não podemos falar e como temos que nos comportar diante de várias aberrações agressivas à liberdade de expressão, ao bom senso e à dignidade da pessoa humana que defendem. 

Como adeptos de Gramsci, il Gobbo, sabem que o método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos é o controle do vocabulário. Exemplo atual é a inoculação subliminar, pelos idiotas do politicamente correto, de uma linguagem-embalagem para adornar  caixas de conteúdo literalmente vazio. 

Esse vocabulário do dialeto furreco - que o ex-ministro do ex-presidente Inácio, Nilmário Miranda, tentou tornar obrigatório com uma absurda cartilha que chegou a ter tiragem inicial de 800 mil exemplares, mas que foi felizmente recolhida antes de ser distribuída, paga com o nosso dinheiro – e que é taramelado ininterruptamente em bares, reuniões de artistas e "intelectuais", passeatas, "atos", "abraços", universidades e assembleias de todos os tipos, lido, ouvido e visto incessantemente, acaba criando em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem. Multidões passam a se comportar como autômatos, marionetes, fantoches e bonifrates, escravas de um algoritmo, mas sem raciocínio, lógica e vontade própria. Isto serve bem à "Causa". 

A massificação calculada de palavras doninhas (mamíferos que sugam o interior dos ovos com um minúsculo furo, deixando-os aparentemente intactos), como as batizou o economista e cartunista Scott Adams, demarca uma conveniente área cinzenta entre o bom comportamento moral (o socialismo, naturalmente) e a delinquência (os liberais, no sentido brasileiro). A password mágica tem seis letras: é a palavra "social", que, quando pronunciada e confirmada, assegura, além do respeito dos idiotas que mais parecem gado guiado, conduto sem patrulhamento a conselhos e assembleias, reuniões e debates, com a cumplicidade da mídia da insídia. 

marO dialeto injetado em milhões de marionetes, bombardeado diariamente e papagueado por apresentadores de TV e repórteres, ao ser progressivamente absorvido pela maioria das pessoas, transforma-se em prática consuetudinária, que exigirá muitos anos para ser desmascarada em sua farsa. 

Quem não usa as expressões mágicas é carimbado como politicamente incorreto e acossado, a ponto de desejar enfiar-se em um buraco e chorar lágrimas rodrigueanas de esguicho. Eis alguns exemplos desses verbetes, em ordem alfabética: afrodescendente, aquecimento global, articulação, cadeirante, portador de deficiência ou de necessidades especiais, cidadania, comunidade, consciência (ecológica, política), conservador, cotas, desigualdades, desmonte do Estado, direitos (civis, humanos, de minorias, sociais), discriminação, dominação, ecologia, elitista, engajamento, entidades, exclusão, função social da terra, grande capital, grande mídia, história de vida, Império, inclusão, inconsciente coletivo, justiça social, libertação, mesa de negociações, militantes, minorias étnicas, mobilização, modelo (perverso, concentrador), movimentos sociais, mudanças, opção sexual, opção pelos pobres, parceria  [essa eu não consigo mais aguentar!], patrimônio público, políticas afirmativas, políticas públicas, potência hegemônica, preconceito, privataria, progressista, projeto de país, recursos não contabilizados, reforma agrária, relação, responsabilidade social, soberania, sociedade (civil organizada), sucateamento...

E tome mãe água pra cá, mãe natureza pra lá, santuário ecológico pra acolá... Menores assaltantes à mão armada não podem ser presos, são apreendidos; acasalamentos de pessoas do mesmo sexo passaram a ser uniões homoafetivas; famílias com homem, mulher e filhos passaram a ser chamadas de famílias tradicionais... A União Europeia, à falta do que com se preocupar, quer proibir revistas, jornais e cartazes  de exibirem fotografias de famílias normais (sim, normais!) e proibir a venda dos livros de Peter Pan. No Brasil, as crianças nas escolas não podem mais cantar a inocente “Atirei o pau no gato”, para não incitar a violência contra os bichanos. Também implicaram com noelMonteiro Lobato que, segundo sua cegueira fanática, era um malvado racista (quando, na verdade, seu vício era outro, o do nacionalismo). E, felizmente, ainda não descobriram algumas músicas de Noel Rosa, como o Samba do Gago (portador de deficiência no aparelho fonador) e aquela que - ao que  dizem - compôs para a sogra e cuja letra começa dizendo: "Ah, que mulher indigesta/Merece um tijolo na testa". Imaginem vocês uma tijolada na cabeça da pobre senhora! Lei Maria da Penha no desalmado! Talvez queiram até desenterrar seus ossos e metê-los na cadeia, em regime fechado... E até o compositor de marchinhas carnavalescas João Roberto Kelly corre riscos de ser enquadrado como homofóbico, por causa daquele seu antigo sucesso “Olha a cabeleira do Zezé/Será que ele é, será que ele é”? E há muitos outros, Madonna mia! Confesso que estou me contendo para não escrever um palavrão bem cabeludo e barbudo! Por isso, vou contar, como aconselha o campeão Anderson Silva naquele comercial, até 10: 1,2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...

Não tenho nada com a vida de ninguém, mas não posso aceitar passivamente que chamem minha família de família tradicional, ou que me obriguem a contratar em minha empresa funcionários pela cor de sua pele, ou pelo seu sexo. Não aceito que ninguém queira me impor comportamentos que não são normais como se normais fossem! E nem que minorias barulhentas encurralem a maioria covarde!

matrAssim, ser contra cotas em universidades garante o carimbo de elitista; opor-se ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de preconceituoso; sustentar que a função social da terra é uma completa tolice, de criado dos latifundiários, criticar quedas artificiais da taxa de juros, de estar a serviço da banca... As doninhas jamais o perdoarão e o precipitarão nos abismos tenebrosos e lôbregos do Tártaro, para padecer em eterno choro e ranger de dentes. Geena para esses conservadores, rosnam os idiotas politicamente corretos. Se forem católicos, então, inferno para esses medievais, ululam outros.

Por isso, por causa da apatia de quem não deveria ficar indiferente, entre muitas outras consequências, não há oposição efetivamente liberal-conservadora no Brasil e oscilamos entre PT e PSDB, ou seja, entre o apetite e a apetência... Automatizada, a maioria das pessoas passou a não ter opinião própria e muitas das que a têm, sendo implacavelmente policiadas pelas doninhas, receiam cair em desgraça e, encolhendo-se como caracóis, entram no jogo. Pobre país. Aliás, pobre mundo, porque ninguém escapa.

Às favas contra esse festival de asneiras estupidamente corretas! Em tempo, mandar às  favas [do latim fabas, fabae], significa mandar embora, para não ter que aturar mais. Que tal começarmos aqui na Internet uma reação para colocar um fim a essa palhaçada? Que tal ensinarmos as pessoas a voltarem a falar o português, a última flor do Lácio, da qual escreveu o poeta Olavo Bilac:

"Última flor do Lácio, inculta e bela,

És a um tempo, esplendor e sepultura:

ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela.

Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho"!

Conclamo todos os que lerem este artigo, sem rodeios e receios, com coragem e determinação, a convencerem todas as pessoas que conhecem a não mais se deixarem  enganar facilmente, enfim, a deixarem de ser - data venia a Bilac e Camões - panacas. Vamos, gente, botar a camarilha hipócrita do politicamente correto para fora de nossa casa!