Aguardem...07/12/2012

Planos de governo invariavelmente são fracassos com datas marcadas! Esta é uma grande verdade, mas sempre há os que não acreditam nas verdades simples e tentam argumentar infantilmente com expressões do tipo “não é bem assim” ou “desta vez vai dar certo” ou “vamos torcer para dar certo” [torcer eu torço, sim, mas pelo Fluminense, cabras da peste] ou ainda “você é muito radical, lembre-se de que a virtude está no meio”. Quando alguém nos disser isso, podemos fulminá-lo imediatamente com um direto no queixo (ou, melhor ainda, com um simples peteleco nos dois ou três neurônios de seu cérebro), contra-argumentando que quem não acredita na existência da verdade então não pode ter certeza de que aquilo que está falando é verdadeiro e, portanto, está nos dando o direito de dizer-lhe que não podemos acreditar no que diz. Por conseguinte, se ele não acredita que a verdade existe está, no fundo, dizendo, sem que tenha capacidade para perceber isso, que ela existe!

 

Escrevo isso a propósito de mais um dos inúmeros pacotes dessa equipe de empacotadores profissionais que se alojou na Fazenda, no BNDES, no Banco Central e, de um modo geral, em quaisquer lugares onde existem cargos para serem distribuídos para os amigos d’El-Rey.

Desta vez, o ministro da Fazenda e o presidente do BNDES, com toda aquela liturgia de arrogância e incompetência, anunciaram, anteontem, um pacote de R$ 100 bilhões para financiar novos investimentos das empresas (leia-se: das empresas cujos lobistas percorrem com desenvoltura aquele suntuoso prédio da Avenida Chile, aqui no Rio), com o objetivo de, segundo o comandante mor dos embaladores de facilidades de plantão, “garantir crescimento em torno de 4% [do PIB, em 2013], que é o que perseguimos”. Daquele total, R$ 15 bilhões virão da liberação de depósitos compulsórios e o restante? Adivinhem de onde sairão? Hein? Claro, do BNDES, que pretende prorrogar o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), mais uma das siglas deste governo especialista em monogramas e filigranas, bem como em apoderar-se de nossas granas e mandar-nos bananas...

O PSI foi a resposta do governo de Lula à crise mundial que estourou em 2008, aquela da “marolinha”. De lá para cá, sempre sob a batuta - desajeitada e fora de sintonia com a orquestra dos mercados – do incompetente Maestro Mantega, fomos, um pacote algures, outro embrulho alhures e outro, e mais outro, transformando a marolinha em vagalhão.

Não tenho mais estômago para comentar esses pacotes que denotam a ignorância petulante de seus autores. Perdoem-me, não é preguiça, é apenas que, por dever de ofício, os venho criticando desde os tempos em que Delfim manobrava a economia com seus botões de comando, passando pelos cruzadeiros de Sarney, pelos novos Waitcruzadeiros do Plano Verão, pelo sequestro criminoso de ativos financeiros, perpetrado por aquela senhora - campeã de fealdade e de insensibilidade - que foi ministra do nosso Indiana Collor Jones, pelos achaques nacionalistas do período de Itamar Franco e pelas frases sem sentido do ministro Ciro Gomes, já no primeiro mandato de Fernando Henrique, para ficarmos por aí. Isso cansa a gente!

Há pessoas que não aprendem com os erros do passado, nem os dos outros e nem os próprios. E que não têm a menor ideia de como funciona o processo de mercado, nem do que determina a poupança e os investimentos, nem do que vêm a ser a moeda, o crédito genuíno e o crescimento econômico. Na verdade, alguns são doutores em Economia, mas não sabem o que é a economia... Essa turma que está aí a ditar regras para os mercados é formada por gente deste tipo. O pior de tudo é que todos esses embusteiros se dizem “desenvolvimentistas”. Nós, os austríacos, somos “contra” o desenvolvimento... Como podem ser a favor ou contra um fenômeno que nem de longe sabem o que realmente significa? Posso imaginar que livros e autores esses empacotadores leram e estudaram em seus cursos de doutoramento. Lixo, puro lixo. Lixo keynesiano maculado com laivos de marxismo e enlameado com aquela arrogância fatal de que nos falou Hayek no último de seus livros, The Fatal Conceit.

Como escrevi logo no início, planos de governo invariavelmente são fracassos com datas marcadas! Este é apenas mais um pacote fracote, cuja probabilidade de gorar é igual a um!