09/12/2012

Passa um pouco das seis da manhã e, como acontece todos os dias, ouço o barulho do elevador e do porteiro atirando o jornal na soleira de minha porta. Os primeiros raios do radiante sol carioca invadem sem cerimônia as frestas das persianas e vão irradiar sua claridade pela sala, espraiando-se em fachos de luz e libertando-a da escuridão.

pressAinda sonolento, vejo a manchete dizendo que a ala do partido que se diz dos trabalhadores e que queria partir para o confronto com o STF, ameaçando ocupar as ruas com as hordas de desocupados dos ditos movimentos sociais  entidades - certamente brandindo aquelas bandeiras vermelhas manchadas pelo sangue dos milhões de assassinatos praticados por seus ídolos Lenin, Stalin, Pol Pot, Fidel e outros inimigos da humanidade, que aquela ala, dizia eu, cujo lema parece ser "avante, para trás!" -foi vencida na convenção do diretório nacional do partido. 

Meno male, concluo apressadamente, porque logo leio a submanchete informando que o partido aprovou moção de solidariedade à presidentda Argentina, aquela grotesca senhora que parece saída de um filme de horror, por - imaginem! - suas ações contra a imprensa de nosso país irmão. Moção de solidariedade para uma ridícula e autoritária personagem que vem amordaçando a livre informação em seu país!

 

Confesso que pensei que ainda não havia acordado e que aquilo que lera não passava de um pesadelo tardio, daqueles em que a gente anda, anda e anda para chegar a um objetivo, mas sente a sensação de não sair do lugar. Joguei o jornal sobre o sofá e fui rapidamente tomar café, uma dose dupla, para tentar espantar o sonho assustador, mas, quando voltei para ler o diário, a notícia ainda estava lá, imóvel, estática como nosso país em termos de ideias, apavorante como o verdadeiro filme de Drácula estrelado pela star Cristina e revoltante como um pênalti claro não marcado a favor do clube de nosso coração. Para piorar as coisas, ainda na submanchete, a posição do partido de que a perda de mandatos dos condenados pertencentes a seus quadros é assunto para a Câmara decidir.

É perda de tempo comentar essas demonstrações fenomenais de atraso mentais e culturais, coisa mesmo de débeis mentais. Recuso-me a fazê-lo! Basta dizer que, invariavelmente, as primeiras providências de qualquer ditadura consistem exatamente em subjugar as cortes de Justiça e cercear a informação, calando à força a imprensa, bem como controlar pelo uso de todos os truques possíveis o Congresso. Há muitos anos, antes da queda daquele muro desumano e do autocolapso da URSS, eu ainda perdia tempo discutindo o conjunto de equívocos e o festival de maldades que sempre foi  o socialismo-comunismo, entre uma e outra cerveja. Mas hoje, em pleno ano de 2012, quase 2013, aprendi que fazer isso é jogar tempo fora, além do que já não bebo a quantidade de cervejas que bebia antes... Tenho tarefas bem mais agradáveis para fazer, como regar plantas, ouvir música, ler, dar aulas e palestras, escrever artigos e livros, brincar com as netinhas e, até, assistir a alguma coisa que preste na TV, evento bastante raro, ainda mais agora que o campeonato brasileiro de futebol terminou...cris

Vou ressaltar apenas que eles estão mostrando quem são de fato e despindo esperta e sub-repticiamente a máscara, forçados pelas circunstâncias que mostraram ao Brasil inteiro que a ética que tanto alardeavam é como os chifres dos cavalos. Atacando o Supremo e a grande mídia, o que estão realmente tentando fazer é tirar o escabeche de defensores da liberdade que escondiam para milhões de iludidos úteis suas faces claramente autoritárias. Se nosso festivo e carnavalesco povo não acordar para o fato de que estão tentando sucessivamente, com persistência de Jó, mexer com suas liberdades individuais, vai sentir na própria carne, depois de meio milênio de história,  o que significa essa expressão: liberdade individual e de como esse atributo é importante para a felicidade humana. Simplesmente porque a terão perdido. E vão também entender que para recuperá-la serão necessários anos de sofrimento. No regime soviético, foram mais de setenta. Na China, já são mais de sessenta. Em Cuba, mais de cinquenta.

E esses radicais de quintais ainda ousam falar em era de chumbo da ditadura militar, quando o tipo de ditadura com que sorrateiramente sonham é muito pior, e bem mais sangrenta.

Pobre Brasil. Pobre Argentina. Pobre Venezuela. Pobre Equador. Pobre América Latina! Povero Rigoletto! Já dizia Nelson Rodrigues, crítico atroz do regime comunista, que "subdesenvolvimento não se improvisa, é uma questão de séculos"...

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Mas escrevi tudo isso não para revelar desestímulo, mas para afirmar que é chegado o tempo de renovar nossa esperança! Sim, porque essas e outras atitudes desesperadas da seita dos adoradores do Estado – como a matéria de capa desta semana da revista esquerdista Carta Capital, sobre o que eles chamam de "a velha cara da nova direita", um inacreditável conjunto de falta de conhecimento, desinformação, acusações descabidas, mentiras, chavões e falácias, tudo isso regado pelo jornalismo da pior qualidade, que deixa seu papel de informador de lado para assumir o de doutrinador - revelam que eles perceberam que a batalha está perdida no Brasil e que terão que tentar berrar seu canto desafinado em outras freguesias. Aliás, nestas últimas também temos observado um contínuo crescimento das ideias de liberdade, haja vista o surgimento de institutos dedicados a disseminar as ideias da Escola Austríaca na América Latina e na Europa. O movimento libertário, formado em sua maioria por jovens, estudiosos e maduros para a sua pouca idade, de todo o país, que tomam conhecimento dessa escola e dos princípios fundamentais da liberdade está crescendo tanto que os estatistas já dão sinais claros de desespero, como os da matéria do jornal que comentei no início. Em suma, o esquerdismo está condenado, já percebeu isso e estrebucha. Sua derrota é questão de tempo. O movimento libertário é ao mesmo tempo espontâneo, enorme, fundamentado na lógica da ação humana e descentralizado e, portanto, eles jamais conseguirão sufocá-lo.

Nesse caso, a máxima rodriguena poderá ser alterada para "subdesenvolvimento não se improvisa, mas é uma questão de poucos anos para que seja eliminado pela solidez das ideias ".