11/12/2012

QUem é? Aguarde novo artigo no Blog, daqui a pouco.Nana nenê que a Cuca vem aí/Papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar... Quem não foi embalado em sua infância mais tenra por essa comovente berceuse, essa tocante lullaby, que até hoje nos remete com emoção ao tempo em que éramos crianças puras e inocentes?

Mas ganha um doce quem souber quem é essa tal Cuca... Bem, para não complicarmos muito, basta mencionarmos que há pelo menos quatro espécies desse misterioso animal identificadas pelos cucólogos - que, por sinal, estão se mobilizando para um "ato público seguido de passeata" da Candelária até a Cinelândia, na Paulista e em todas as outras capitais, para exigir do governo a regulamentação de sua profissão e a instituição do Dia Nacional dos Cucólogos, que deverá ser de ponto facultativo nas repartições estatais.

 Eis três das quatro espécies: a primeira é o atual técnico do Clube Atlético Mineiro, bebê-chorão conhecido, talvez por ter medo da terceira espécie; a segunda é, simplesmente, a cabeça de cada um de nós; a terceira, a que é cantada para adormecer inocentes crianças; e a quarta – a pior de todas – vamos examinar mais para baixo neste artigo.

 

Vamos por ora nos deter um pouco na terceira modalidade, uma das principais figuras mitológicas do rico folclore brasileiro, popularizada por Monteiro Lobato em seus livros infantis (os mesmos que a burritzia politicamente correta quer cassar) e, bem depois, pela famosa série televisiva O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Dizem que ela tem origem em outra figura mitológica, a Coca, herdada de nossos queridos pais portugueses. 

Relata a lenda que a Cuca é uma velha muito feia, com corpo de jacaré, que rapta as crianças levadas, desobedientes, malcriadas e que não gostam de ir para a cama cedo. Tem sido usada por sucessivas gerações de mamães, vovós e titias, como  um expediente para fazer dormir crianças que ainda não sabem quem é Morfeu.

É claro que os politicamente corretos não vão demorar a implicar com a aludida jacaré-fêmea, acusando-a de aterrorizar as crianças, assim como já estão modificando para o seu dialeto ignóbil canções folclóricas incorporadas espontaneamente, por séculos, nos costumes, usos e tradições de nosso país, tais como Atirei o pau no gato (paracat proteger os bichanos da extinção), mas o gato não morreu (porque subliminarmente ensina a matar gatos com competência), O cravo brigou com a rosa (por fazer apologia à violência), Boi da cara preta (porque vai pegar a menina que tem medo de careta), A canoa virou (por criar sentimento de culpa na menina que não aprendeu a remar), Ciranda cirandinha (porque o anel recebido era um anel de vidro, desses de camelô, se quebrou e, como camelôs não pagam impostos, o Estado não vê a cor do dinheiro deles)... As brincadeiras de Batatinha frita um, dois três e Chicotinho queimado serão terminante proibidas, porque frituras aumentam o colesterol e chicotes são instrumentos de tortura e bullying.

Alguns antropólogos chegam a sugerir que essas inocentes brincadeiras e canções de ninar são as culpadas pela baixa-estima do povo brasileiro! Caspita, esses sujeitos querem controlar e estatizar até canções de ninar! Raios os partam! É o fim da picada, a perda completa do fio da meada, uma enorme palhaçada! 

Mas, se você já acha que estão passando dos limites, prepare-se, porque agora vamos passar à quarta espécie de Cuca, a mais tenebrosa, lúgubre, escravizante e revoltante: é a Cuca Estatal, que assume várias formas, e é funcionária muito bem remunerada do Nanny State, o Estado-Babá, aquele verdadeiro manicômio de iniciativas estatais abrangendo protecionismo, intervencionismo, keynesianismo, socialismo, regulação, controle da moeda, do crédito, do câmbio e das taxas de juros, tributos, proibições, obrigações, o que podemos ou não podemos comer e beber, como devemos falar e nos comportar e muito, mas muito mais. David Harsanyi, autor do livro “O Estado Babá - Como radicais, bons samaritanos, moralistas e outros burocratas cabeças-duras tentam infantilizar a sociedade”  (Editora Litteris, 2011), critica o crescente intervencionismo estatal na sociedade norte-americana e sustenta com sólidos argumentos que não é dever nem obrigação do Estado proteger os indivíduos de si próprios. No Brasil e no mundo inteiro não é diferente e nem menos indecente.  

Aguardem, já já...A destruição de nossas liberdades é o preço que temos que pagar por aceitarmos passivamente a ingerência do Estado-Babá em nossas vidas.  Quando a interferência desse monstro ameaça as liberdades individuais, não podemos ficar de braços cruzados, aceitando sem sequer esboçar qualquer reação determinações politicamente corretas que restringem nossos direitos, mas passam despercebidas pela população, por uma razão muito simples: o Estado Babá infantiliza, bestializa, embrutece, estupidifica. Esse Estado que nos impede, impele, compele, tolhe, paralisa, coíbe, priva, reprime, obriga, chantageia, cobra, coage, embarga e rouba tem uma ponta de lança perigosíssima para nos impor seus constrangimentos: a implacável Cuca Estatal!

Comparada com esta, aquela outra, a do terceiro tipo, usada para fazer as crianças irem para a cama, não passa do inocente estratagema que sempre foi e será, porque jamais a Cuca “pegará” ninguém. Mas a Cuca Estatal não deixa ninguém escapar. Ela não tem corpo de jacaré-fêmea, mas é campeã absoluta de fealdade, seu corpo não é de jacaré, mais parecendo um saco de aniagem (cheio) e seu rosto lembra de perto os de algumas ministras sinistras de um certo país...

Comentando uma postagem de Helio Beltrão hoje no facebook, nossa amiga comum Valeria Pugliesi-Washington escreveu com muito bom humor e inteligência, simulando ser ela o próprio Estado-Babá a dar ordens à Cuca Estatal: "Se andar, taxe e quebre o sigilo da correspondência [acrescento: o bancário também]; se continuar Pouquíssimos...andando, regule e ponha na lista de suspeitos; se parar de andar, subsidie, mas ponha na lista de assassinatos encomendados". Na mesma postagem acrescentei: “Se o cara se esconder embaixo da terra, crie incontinenti um imposto subterrâneo, cuja receita deverá ser destinada à preservação de todos os tatus: o bola, o canastra, o de-rabo-mole, o galinha e o tatupeba”.

E ainda, na lista de tarefas desse monstro, podemos acrescentar a sugestão de Raphael Moras de Vasconcellos: “Se for astronauta cobre, porque exploram o espaço sideral”. E outras que me ocorrem agora, como “se nascer, tribute, porque será mais um ser a poluir a “Mãe Terra”; se morrer, imposto post mortem na conta do defunto, com receita destinada à preservação dos cemitérios e às funerárias estatais; se for internauta, um royalty por conta da exploração do espaço cibernético para obter lucros abusivos; se for uma scort girl, cobre dela e do freguês uma participação especial, pois ninguém tem o direito de sentir prazer, seja profissional ou não, sem pagar o devido tributo ao Estado; se for pescador, meta a mão em seu bolso, porque o desalmado está a destruir o santuário ecológico marinho, aquele que o Sérgio Chapelin mostra todas as semanas no Globo Reporter; se comer carne de boi, alíquota bem alta nele, porque, além de não se comportar como uma lagarta se alimentando apenas de verduras, está contribuindo para a extinção da espécie; se dormir, bole uma contribuição especial permanente sobre o sono da pessoa física, uma vez que, se o gajo está a dormir, não está a trabalhar e, portanto, não está a gerar receita para o Estado-Babá; se estiver doente, cobre também, porque lixo hospitalar é poluente e perigoso; se gozar de boa saúde, invente um imposto sobre o bom estado físico”...

Só agora me lembrei – puxa vida! – que lá no primeiro parágrafo prometi dar um doce a quem soubesse quem é a Cuca. Caramba, se alguém do Estado-Babá ler esse meu gravíssimo deslize, certamente baixará uma medida provisória e ordenará à Cuca Estatal que imponha outra contribuição permanente sobre doces de qualquer espécie, cujos recursos irão diretamente para que o BNDES subsidie os produtores de aspartames, sacarinas, ciclamatos, sucraloses e acessulfame-k, bem como de qualquer outro que venha a ser descoberto... e tornará tal gravame retroativo, para me obrigar a pagá-lo.

leléGente, a lista é interminável, mas a Cuca Estatal é incansável! E não adianta você querer se esconder, porque ela não dorme, trabalha vinte e quatro horas por dia de segunda a domingo e tem o dom da ubiquidade desenvolvido em alto grau.

Afinal, a Cuca Estatal é colossal, fatal, imoral, mortal e infernal! Para não ficar  lelé da cuca, só mesmo levando na patuscada. Ou brincando de fazer rimas.