14/12/2012

benBen Bernanke, impressor-mor, teimoso de marca maior e que conhece o manual keynesiano de cor, acaba de anunciar que o Fed manterá a taxa de juros básica dos Estados Unidos bem perto de zero, o que já vem sendo feito desde 2010, “até que o desemprego recue para menos de 6,5%”. O banco central americano pensa em comprar mensalmente algo em torno de US$ 45 bilhões de títulos do Tesouro a partir do próximo mês de janeiro, bem como adquirir cerca de US$ 40 bilhões em ativos lastreados em – pasmem! - hipotecas! Se Bernanke e seus krugmanianos assessores não desaprenderam as operações aritméticas básicas, isto significa a “módica” quantia de US$ 85 bilhões/mês. Por sua vez, o FOMC  (Federal Open Market Commitee – Comitê Federal de Mercado Aberto em português), pelo menos enquanto a taxa de desemprego permanecer acima de 6,5% e quando a expectativa de inflação cair para menos de  2,5% ao ano, diz em relatório que a taxa  básica de juros deve ser mantida perto de zero (hoje está entre 0 e 0,25% ao ano). Mais distante da realidade ainda é a previsão do Fed, de 2% para a inflação em 2013.

 

Não vou entrar em pormenores técnicos porque este Blog não é destinado a especialistas e sim para um público mais amplo (e menos chato) e minha preocupação maior é me fazer entender por todos, para mostrar a gravidade do que vem acontecendo. Os exemplos são dos Estados Unidos, onde a pândega começou, mas se os substituirmos por dados da União Europeia a situação também é degradante.

Os gráficos que ilustram esse artigo mais parecem uma chanchada cinematográfica, tamanha a canastrice dos principais protagonistas. Mas, infelizmente, retratam a realidade, ou melhor, o mundo de sonhos fantasiosos de monetaristas e keynesianos. Todos esses gráficos podem ser acessados e baixados do site do Federal Reserve Bank of St. Louis – FRED (Federal Reserve Economic Data), cujo link é : http://research.stlouisfed.org/fred2/

M1Ao olharmos para o comportamento de M1 e M2, os agregados monetários mais utilizados, sendo o primeiro a definição de moeda e o segundo uma aproximação para o crédito, levamos um susto. Teriam sido desenhados por uma criança de quatro ou cinco anos? Não, foram feitos por especialistas, por PhDs em economia! Vejam que farra, que esbórnia, que orgia, que pândega, que desperdício, que esbanjamento, que dissipação, que irresponsabilidade travestida de “ciência”, tudo em nome dos manuais da mainstream economics! A aceleração da moeda e do crédito é realmente espantosa e isso não pode ficar impune, porque, cedo ou tarde, as leis da economia vão penalizar erros tão grosseiros, impondo perdas a muitos indivíduos inocentes, embora os autores desses equívocos certamente vão sair ilesos de suas trapalhadas.

 

Se isso não é inflação, então terei que jogar no lixo toda a bela coleção de livros austríacos que enchem minha estante da sabedoria alheia a que tive a sorte de ter acesso! Para parafrasear Mises ([in: As Seis Lições]: há muito mais batatas dM2o que caviar, ou seja, a expansão da moeda e do crédito é fantástica, absurda e espantosamente alta em relação à poupança genuína. Vejam o impressionante descompasso entre esta última e o expansionismo keynesiano e monetarista irresponsável, que vem sendo a tônica nos Estados Unidos, com sucessivos quantitative easings, QEi, (i pertencendo ao Z+ , o conjunto dos números inteiros positivos e, segundo rumores que circulam nos corredores, podendo  assumir, tal como na velha Matemática, valores que podem ir de  1 a +?)...

As reservas excedentes, que correspondem à diferença entre as reservas mantidas pelas instituições bancárias e os recolhimentos compulsórios determinados pelo Fed, experimentaram fortíssimo aumento. Quando elas crescem isso significa que os bancos ficam mais líquidos e assim podem expandir seus empréstimos. Por favor, olhem o comportamento das excess reserves e me respondam: não há algo de anormal no reino de Tio Sam, ou do Brother Obama? 

 

savPor sua vez, a poupança, que em uma economia saudável serve como base sólida para investimentos, quando comparada com o crédito (M2) mostra uma diferença de cerca de US$ 4 bilhões, o que significa, em poucas palavras, que o Fed vem promovendo largamente o que os austríacos denominam de forced saving (poupança artificial), ou seja, estão injetando loucamente na economia uma quantidade espantosa de crédito lastreado não em poupança genuína, mas em papéis pintados com o retrato de George Washington, sem qualquer lastro. Esta é a origem dos ciclos econômicos, identificada por Mises há um século, em seu tratado de Teoria Monetária de 1912! Gente, eles estão jogando mais querosene no incêndio!

riQuanto à taxa de juros efetiva do Fed, a farra chega às raias de uma orgia digna de Sodoma e Gomorra, como o gráfico atesta. Pensam que estão dando um remédio para salvar a economia, quando na verdade a estão envenenado ainda mais...

 

 

 

 

 

  

 

Só quem conhece a TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos) e já leu o livro A Grande Depressão, de Murray N. Rothbard,  recém lançado em português pelo Mises Brasil pode ter noção da bomba atômica que os economistas da mainstream, suportados por políticos sempre em busca de popularidade, montaram. Quando ela vai explodir exatamente ninguém pode saber, mas que vai explodir, deixando em frangalhos (mais ainda) a economia americana e a mundial, podemos assegurar que vai.

O Grande Impressor declarou também que “a economia americana já está sendo afetada pelo chamado abismo fiscal – aumentos de impostos e cortes de gastos do governo de até US$ 600 bilhões, que entrarão em vigor a partir de janeiro se não houver acordo no Congresso [leia-se, se o Congresso apimentar mais ainda a loucura]”.

Apesar do amontoado de equívocos que vem dizendo e praticando, Ben, no entanto, disse pelo menos algo correto: que a política monetária sozinha não será suficiente para contrabalançar esse abismo fiscal. Mas esqueceu de dizer o resto: nem a política monetária, nem a política fiscal e nem qualquer outra política, seja de naureza keynesiana ou monetarista, não vão conseguir resolver o problema. Isso só vai acontecer quando os malinvestments provocados pelos erros crassos do Fed e que aboliram a coordenção entre a estrutura de capital da economia e a taxa de preferência temporal forem eliminados de maneira natural. Quebrarão empresas e pessoas físicas? Sim, quebrarão, porque merecem quebrar, pois, por ingenuidade ou esperteza, cometeram erros crassos, acreditando nas promessas e estímulos artificiais do governo. A tentativa de não deixá-las quebrar, como vem sendo feito desde que a bomba explodiu em 2008, só vai piorar sua situação e ainda por cima arrastar mais empresas e indivíduos para o buraco.

debtVejam só a quantas anda a dívida pública do governo americano: maior do que o PIB, o que significa tão somente que, além dos sérios problemas vividos no presente, duas ou três gerações futuras serão compulsoriamente “convidadas” a pagar essa conta astronômica. Como diria o Casoy, “isto é uma vergonha”! Sim, uma vergonha e algo profundamente imoral.

 

 

 

 

 

 

defObservem agora a evolução do décitit público (não se assuste com o gráfico, ele é real)! É keynesianismo demais e até a maior economia do mundo não conseguirá ficar imune a isso.

 

 

 

 

 

 

 

unE o que os economistas da mainstream chamam de “nível de emprego”, como tem respondido a tantos estímulos? Vejam no gráfico se isso é resposta que se dê...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Podemos listar algumas conclusões à guisa de resumo:

(a) houve e continua havendo uma expansão artificial do crédito, ou seja, de crédito não lastreado em poupança verdadeira, mas em cédulas com fotografis de heróis americanos sem qualquer lastro;

(b) esse artificialismo “desenvolvimentista” funcionou no início, antes que o ladrão fosse pilhado com a boca na botija, ou seja, enquanto os agentes econômicos não suspeitaram da farsa que é o crédito “fantasiado” de poupança;

(c) esse fenômeno foi a causa da grande crise que ameaçou aparecer no final dos anos 90, apareceu em 2007, explodiu em 2008 e continua resistindo às pajelanças keynesianas e monetaristas;

(d) essa crise está servindo para desmoralizar definitivamente a mainstream economics: estão usando ao mesmo tempo remédios monetaristas (expansões de moeda e crédito como jamais houve na história “daquele país”) e remédios keynesianos (aumento substancial do déficit público puxado por gastos do governo e pelo foguete da dívida interna disparado em direção à lua);

(e) mesmo assim, a economia não apresenta sinais de recuperação sustentada, porque, na verdade, os remédios que Bernanke & Cia. estão administrando a ela equivalem aos de um médico louco que, para tratar um paciente alcoólatra, receita uma mistura fatal de cachaça (mais gastos públicos) com uísque (sucessivas rodadas de quantitative easings)

(f) nós, os austríacos, definimos inflação não como simples aumentos permanentes nos preços, mas como emissões sem lastro e por isso afirmamos categoricamente e com convicção que a inflação já existe, porque um volume imenso de moeda e crédito foi lançado na economia sem lastro real, embora os índices que medem a inflação possam ainda não ter captado essa inflação;

(g) manter a taxa de juros em zero é outra bobagem, porque isso não vai “estimular” a atividade econômica nem tampouco transformar uma poupança que não existe em investimentos reais;

(h) a crise só terá um ponto final, se as políticas do Big Printer Bernanke continuarem sendo postas em prática, quando acontecer um colapso abarcando toda a estrutura de capital da economia, até que todos os maus investimentos feitos até então venham a ser eliminados.

Só espero que os economistas da mainstream, depois de tantas tentativas fracassadas, passem a dar a devida atenção à Escola Austríaca de Economia. Ela tem muito mais a dizer em termos de desvendar a economia do mundo real do que sua vã vaidade supõe!