17/12/2012

gansa “Um governo não pode determinar prec?os, pela mesma razão que uma gansa não pode botar ovos de galinha”. A frase do Prof. Ludwig von Mises mostra muito bem a simplicidade e a genialidade  que lhe eram características! É uma senhora pedrada bem no meio da testa dos economistas e burocratas com arrogância e humildade tendendo, respectivamente, a infinito e a zero, que acreditam que é possível tabelar, administrar, congelar, manipular, fixar ou controlar qualquer tipo de preço, seja para “estimular” setores da economia, para “melhorar a vida dos mais pobres”, para “combater” a inflação ou para qualquer outra finalidade cheia de boas intenções, mas das quais o inferno está repleto. Um desses preços, que os que se recusam a aceitar a simplicidade da boa teoria econômica acham ser essencial controlar, é a taxa de juros, algo que, na verdade, nem existe, porque o que existe no mundo real não é “a” taxa de juros, mas diferentes taxas de juros para diferentes títulos, aplicações e prazos.

Há certos conceitos – como o de preço - que pensamos dominar, mas que, a rigor, conhecemos apenas superficialmente. O que vêm a ser afinal preços? Em sua essência, são resultado das ações de indivíduos e de grupos de indivíduos que, agindo intuitivamente e em seu próprio interesse, fazem suas escolhas econômicas na suposição de que sejam, a priori, as melhores dentre todas as possíveis, dados seu estado de conhecimento e suas motivações em cada momento específico do tempo.

 

Por isso, como Mises ensinou, todos os prec?os que conhecemos são prec?os passados, meros fatos da história econo?mica. Ao falarmos de preços atuais, está implícito que estamos supondo – mesmo inconscientemente – que os preços do futuro imediato não serão diferentes daqueles do passado recente. E tudo o que dizemos sobre preços futuros não passa de simples inferência, de nossa visão particular sobre eventos que ainda são incertos. Preços, portanto, resultam da ação humana, das escolhas interativas de milhões de indivíduos no mercado, ao longo do tempo e sob condições de incerteza genuína, não bayesiana e, por isso, só podemos concebê-los como tal quando são determinados livremente por essa interação.

Quando o governo intervém no processo de mercado determinando qualquer preço, na verdade o que está fixando não é um preço genuíno, mas um pseudo prec?o, que não espelha o valor verdadeiro do respectivo bem ou serviço. Isso ocorre com o Fed controlando a taxa de juros americana, com o Partido Comunista impondo por mais de setenta anos a mesma tarifa para o metrô de Moscou, com os congelamentos dos anos 80 e início dos anos 90 no Brasil ou com o nosso banco central mantendo a taxa de câmbio perto de um valor “mágico” durante meses ou anos, seja para “combater a inflação”, seja para “estimular exportações” ou por outro motivo qualquer.

patCedo ou tarde, a verdade que os mercados refletem acaba sempre por vir à tona e pune a mentira, o castigo se dando sob a forma de distorções na estrutura de capital, de maus investimentos, de inflação, de desemprego e ciclos econômicos. Estes ensinamentos dos economistas austríacos, simples e de uma lógica irrepreensível, têm sido negligenciados exatamente porque são simples e, sendo assim – supõem os pascácios e lorpas da complicação desnecessária -, não podem ser verdadeiros, além de conduzirem os economistas a uma postura humilde em relação ao seu próprio conhecimento, o que os leva a ver o intervencionismo como uma prática de engenharia social, sempre equivocada e perniciosa.

Simplicidade e humildade são virtudes que a vaidade e a arrogância não conseguem tolerar... Todo controle de preços, bem como qualquer intervenção do Estado no processo de mercado é manifestação de pretensão, de altivez, de presunção, de imodéstia, de arrogância. Se existe algo que ultimamente me tem feito perder a paciência é exatamente essa petulância de muitos economistas, já nem vou dizer de corte keynesiano, mas oriundos do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, que se acham donos absolutos da verdade, escondem-se atrás de Milton Friedman e procuram menosprezar os austríacos, sem ao menos terem lido mais do que uma ou duas frases de Menger, Mises, Böhm-Bawerk. Hayek ou qualquer outro austríaco. Os poucos que leram dez ou vinte páginas, não entenderam, porque não encontraram nelas gráficos e equações e, portanto, as desprezaram. Pelo menos, antes de ler esses geniais economistas, eu estudei com profundidade todos os monetaristas, fui aluno de um dos melhores dentre eles, Alan Meltzer, bem como Keynes e seus principais seguidores, além, logicamente, dos clássicos e Marx.

Por isso, modestamente, quando faço críticas à visão monetarista da crise nas rodadas sucessivas (e inúteis) de quantitative easing, sei o que se passa na cabeça desses caras. Não estou atirando no que não vejo, mas no que conheço bem.

A rigor, estou cada vez mais convencido de que muitos deles não sabem nem o que é inflação, pois quando algum austríaco escreve que o Fed já vem inflacionando há muito tempo, eles olham para conceitos que Mises desmascarou, como os de "demanda global", “nível geral de preços”, “velocidade de circulação da moeda”, “multiplicadores” e outros sem os quais não sabem raciocinar. E ainda sugerem que os austríacos não conheceriam esses conceitos. Conhecem sim. E os rejeitam!

Seria melhor para eles, para não ficarem um dia desmoralizados pelos fatos (algo que fatalmente vai acontecer), que ficassem calados. Mas sua vaidade é maior do que sua ignorância sobre as verdades escritas e ditas pelos economistas austríacos. Atiram no que não veem e no que não conhecem.