28/12/2012

elfEsse governinho de um quarto – ou um oitavo? - de tigela que aí está conseguiu destruir em pouco tempo um trabalho que, se não foi completo, pelo menos foi executado no sentido correto durante os oito anos de governo dos tucanos, pelos quais, devo dizer, nunca morri de amores. Certamente para desfazer os temores que se fortaleceram com a vitória de Lula em 2002 – já que aquele que nunca sabe de nada passara mais de vinte anos expelindo socialismo raivoso de seu boquirroto aparelho fonador -, o então novo governo, em seu primeiro mandato, foi forçado a respeitar o que havia dado certo (e que o PT sempre dissera que não daria): o Plano Real. Assim, durante a gestão de Palocci na Fazenda,  para surpresa de muitos, o governo petista não mexeu substancialmente nos chamados fundamentos macroeconômicos, a saber, os regimes monetário, fiscal e cambial. É verdade que o lulopetismo já emitia sinais de que nunca abandonara seu cacoete estatista, ao aumentar o número de ministérios, os cargos DAS, a ocupar a máquina do estado com a companheirada despreparada, a tentar amordaçar a imprensa e controlar a produção de vídeos e filmes. Mas, até então – e olhando apenas para a gestão da política econômica - nada que alterasse os três regimes nem que ameaçasse a estabilidade de nossa moeda. Inflação dentro das metas, contas públicas precárias, mas sem se deteriorarem e câmbio flutuante, que ajudava a sustentar a inflação dentro das metas e a acumular reservas internacionais, tudo isso em um quadro de crescimento da economia mundial, embora precário porque movido a taxas de juros artificialmente baixas e a endividamento interno.

 

Aí saiu Palocci – o do caseiro – e entrou Mantega – o aprendiz de feiticeiro. E as pajelanças começaram, aguçadas pela crise que estourou no mundo já no segundo mandato de Lula. Depois de se convencerem de que não se tratava daquela “marolinha”, eles começaram a seção de pajelanças e de pacotinhos de nenhum alcance. Uma isençaõzinha aqui, outra queda de alíquota ali, um crédito barato para amigos acolá, uma ajudinha para a linha branca, outra para a indústria automobilística, etc. E o número de companheiros ganhando cargos no aparato do estado aumentando. E o intervencionismo do estado crescendo, agora desavergonhadamente. E o PAC empacando. E o governo chamando o setor privado para investir, mas estabelecendo enormes confusões nas regras do jogo, o que, como todos sabem (menos os caras de Brasília), só servem para afugentar a iniciativa privada. E mais estatais sendo criadas: só para cuidar do petróleo, temos duas! E os exportadores, diante da valorização do real perante o dólar, reclamando. E as eleições chegando.

Com a posse de Dilma - a presidente que manda às favas a gramática e exige ser chamada de “presidenta” -, caiu a máscara do Rigoletto. E eles – e também elas, suas ministras campeãs de fealdade apenas comparável à da família imperial brasileira, na visão da marquesa de Santos - tiveram que mostrar quem realmente são e nunca deixaram de ser: adoradores do estado! Ave Lula, Dilma avem!

incO resultado aí está: hoje, esses economistas do mercado financeiro que gostam de ir na Globonews para dizer que os fundamentos da economia estão sólidos já têm que ensaiar antes de sair de casa uma cara de pau mais convincente, porque as contas públicas estão corrompidas, apesar da ginástica contorcionista praticada pelo governo, que usa o BNDES e a Petrossauro para esconder seu estado real. A taxa de câmbio já não é flutuante, porque o lobby exportador conseguiu o seu intento: ganhar dinheiro fácil às custas do governo, como sempre foi, desde a prístina era delfinesca. Juros básicos em queda durante mais de um ano, por razões meramente políticas, embora sob aplausos de economistas e jornalistas mal informados e/ou bajuladores. A turma da empresa Pimentel, Mantega & Associados da Unicamp, com sua profunda ignorância da boa teoria econômica, arrebentou e continua a arrebentar com os três fundamentos de uma só vez.

Pibinho, inflaçãozona e desemprego. É o que nos espera. Não se pode brincar com os fundamentos da maneira irresponsável como esta equipe vem fazendo. Quando você estoura um deles, os outros dois ainda podem “segurar” as coisas por um bom tempo: por exemplo, se o regime fiscal está mal, com as contas públicas em mau estado, os regimes monetário e cambial podem sustentar a economia, ou se o regime cambial vai mal, os outros dois podem ajudar a conter crises externas. Mas quando você manda os três para o espaço, pode esperar que o troco virá mais rapidamente do que você supõe.

A empresa nefanda a que nos referimos dois parágrafos acima conseguiu obstinadamente destruir tudo aquilo que, a duras penas – pois o PSDB nunca deixou de ser um partido de esquerda – a tucanada montou. Uma diferença importante é que no governo tucano as equipes econômicas eram formados por economistas competentes, dentro dos padrões da mainstream economics, como Pedro Malan, Gustavo Franco e Armínio Fraga, entre outros: os políticos sujavam, eles iam lá e imediatamente limpavam...

Mas essa turma que está lá agora é muito incompetente! São um exemplo vivo, exuberante, abundante, altissonante, apavorante e alucinante do segundo princípio de Fey, comentado por Robert Nozick em seu excepcional livro – que deveria ser lido por todos os libertários radicais! - Anarquia, Estado e Utopia: "Há pessoas que sobem alguns níveis acima de sua incompetência, até que sua incompetência é notada".

Etiam cum eos curo ut abscondatis incompetentia? Até quando vão conseguir esconder sua incompetência? A resposta está na postagem de ontem: até quando os escravos do estado não perceberem que são escravos e continuarem acreditando que são felizes.

Definitivamente, não foi à toa que o Financial Times acaba de satirizar nossa presidente, chamando-a de Roussolph the red-nosed reindeer (rena do nariz vermelho) e nosso ministro da Fazenda de Guido the Elf (o duende). Engraçado, mas triste para quem mora no Brasil. Infelizmente, não há medicamento que dê jeito: cada povo tem os incompetentes, as renas de nariz vermelho e os duendes que escolhe para lhe dar ordens...