Mai. 2013 - A TEORIA ECONÔMICA ESTÁ EM CRISE!

Artigo do Mês - Ano XII– Nº 134 – Maio de 2013

2Há males que vêm para bem, ensina o velho brocardo. E a crise que toma conta do mundo desde 2007 parece ser um bom exemplo desse ensinamento popular. Os economistas – entendidos como tal os da mainstream economics – estão dando sinais claros de que estão estupefatos, perdidos e tontos há pelo menos seis anos, quando a “coisa” explodiu, uma explosão, por sinal, prevista pelos austríacos desde o início da década passada, sem que ninguém – mundo acadêmico, imprensa, mundo dos negócios – tivesse sequer dado ouvido a eles.

Ao assistir no Youtube a um debate do qual participei recentemente em Brasília, deparei-me no lado direito com um filme em que quatro economistas americanos dos mais famosos (um deles, inclusive, ganhador do Nobel) reconhecem explicitamente que não estão entendendo o que está se passando, nem porque a economia ainda não saiu da crise e nem porque está resistindo aos “remédios” que eles recomendam. Um deles chegou a formular uma imagem que diz bem do estado de confusão que domina a teoria econômica: a de que parecia que ainda havia um “gato no alto da árvore” e que ninguém sabe quem o colocou lá...

 

Que gato coisa nenhuma, Doutor Stiglitz! Se existem animais indesejáveis, foram vocês mesmos que os puseram lá, nos livros e artigos que escreveram e ainda escrevem e que influenciaram e continuam a influenciar tanta gente!

Estar em dia com a teoria econômica convencional tornou-se um suplício para nós, que seguimos os ensinamentos da Escola Austríaca! Nada há de novo debaixo do sol, ou nas páginas dos textbooks: invariavelmente, encontramos sistemas de equações simultâneas tidas como “dinâmicas”, suas soluções matemáticas e alguns gráficos descrevendo o fenômeno econômico (melhor dizendo, matemático) em estudo. De um livro para outro, o que muda – quando muda – é a notação utilizada por cada autor. Nada, nada mesmo, de novo! Transformaram a economia em um ramo – bastante restrito, por sinal – da Matemática! Que maldade com a Matemática! E ainda há quem acredite que isso seja "rigor científico"...

Confesso (com orgulho) que há algum tempo resolvi parar de me “atualizar”, que passei a preferir, por exemplo, ler o livro que Richard Cantillon escreveu em 1775 sobre a natureza do comércio em geral ou algum escrito de Bastiat da metade do século XIX, ou mesmo os pós-escolásticos dos séculos XV e XVI, porque essas obras têm muito mais a ensinar a um economista com a mente aberta do que os livros e papers sofisticadíssimos que são hoje utilizados em cursos de mestrado e doutorado no mundo inteiro. Mestres e doutores em quê? Em uma linguagem ininteligível para os mortais e que se mostra cada vez mais alheia às coisas deste mundo?

Sim, a teoria econômica está em crise! Gatos miam e procriam pendurados em cada equação que tenta fazer da ação humana subjetiva um ato que pode ser descrito matematicamente. Mas os economistas, que sempre foram os mais pretensiosos dentre os cientistas sociais, nem de longe percebem que eles próprios mataram a sua “ciência”. Estão perdendo o jogo de goleada, mas, além de se recusarem a aceitar isso, ainda têm a pretensão de achar que estão vencendo...

1Quando os economistas típicos ouvem falar na Escola Austríaca, há dois tipos de reação: os mais educados e honestos intelectualmente dizem que não a conhecem, a não ser por terem “ouvido falar” dela; os mais arrogantes e desonestos intelectualmente a criticam apenas por criticar, sem que a conheçam e usando argumentos geralmente infantis, do tipo: “ora, nós temos uma bomba atômica na mão (referem-se à sua teoria econômica matematizada) e vocês vêm com esse arco e flecha”, ou “se os economistas dispõem de uma Ferrari para atacar a crise, por que atacá-la com um Ford bigode”? No entanto, nem o primeiro e nem o segundo tipo de economistas dispõem-se a estudar a Escola Austríaca, pelo menos para falar mal dela com alguma base...

Garanto que não estou pensando em nenhum colega em particular, mas outro dia ouvi dois deles comentando que adotam em suas matérias o livro do Krugman... Preferi ficar quieto, primeiro porque respeito meus pares, mesmo discordando deles, e segundo porque aprendi que não devemos atirar pérolas a esmo. Mas não pude deixar de pensar, primeiro, que ministrar 60 horas de aula seguindo apenas um livro é algo que eu jamais faria, por melhor que fosse esse livro (nunca fiz isso, nem com os livros que escrevi), pois para mim isso indica insuficiência de erudição – ou excesso de preguiça; segundo, que se esse livro foi escrito por alguém que vem há mais de dez anos falando, escrevendo e repetindo enormes bobagens sobre a crise, não caberia pelo menos duvidar que tenha algo de positivo a ensinar.

A teoria econômica está em crise, sim! Uma crise provocada, em boa parte, pela arrogância fatal dos economistas, aquela que os levou crescentemente, especialmente a partir dos anos 30 do século passado, a tratar a economia como se fosse uma ciência natural. É comum encontrarmos entre colegas quem julgue que os economistas são superiores aos sociólogos, politicólogos, antropólogos e operadores do direito, simplesmente porque fazem uso de Matemática. Conheci um até que, em sua arrogância, quando era proprietário de uma faculdade de Economia, tentava me convencer a fazer palestras nos cursos pré-vestibulares de Física, pois, segundo sua visão de longo alcance – meio metro! – esses estudantes seriam economistas melhores do que os alunos dos cursinhos pré-vestibulares de Economia. Este é um exemplo real de arrogância fatal.

A teoria econômica teve três chances para se firmar como uma boa explicadora do mundo real: a primeira foi na Depressão Americana de 1920-21, a segunda foi a Grande Depressão Americana dos anos 30 e a terceira está acontecendo agora, com a crise que se alastrou pelo mundo desde a explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos: a primeira foi simplesmente negligenciada, já que terminou sem qualquer ação do governo; a segunda teve sua solução distorcida para convencer as pessoas de que Keynes foi o salvador do mundo; e a terceira está passando, os economistas mainstream insistindo e persistindo em seus erros e conselhos, os economistas austríacos dando a cada dia mais demonstração de que nossas teorias são superiores a aplicando verdadeiras surras em keynesianos e monetaristas.

Mas será que a arrogância vai ceder? Ou que vão continuar a nos taxar como “economistas intuitivos”, enquanto eles, os gênios da ciência econômica, são os economistas verdadeiros?

A teoria econômica atravessa uma crise muito grave e só há um caminho para salvá-la, resgatando a confiança nos economistas: é a Escola Austríaca de Economia! Ela não é perfeita, mas é a que melhor explica a economia do mundo real; ela não se esconde atrás de equações diferenciais, mas sua lógica verbal é inexcedível e ela reconhece as limitações de nosso conhecimento, algo que incomoda bastante os economistas da mainstream. E, além disso, nos ensina que um economista que se limita a conhecer apenas teoria econômica nunca será um bom economista.

Bem, pelo menos já podemos afirmar que a Escola Austríaca vem experimentando um interesse e crescimento jamais vistos. E isso é um sopro de esperança.