Ago. 2013 - TRÊS NOTÍCIAS E UMA CERTEZA

Ago. 2013 - Artigo do Mês - Ano XII– Nº 137 – Agosto de 2013

 

3Três acontecimentos vieram à tona no rastro das manifestações que levaram em junho milhares de brasileiros às ruas para protestar. O primeiro, auspicioso, é a queda vertiginosa, de 24 pontos percentuais, na aprovação do governo de Dilma Rousseff, segundo pesquisa divulgada na última quinta-feira (25/7) pela CNI/Ibope, com a percepção, por parte da população, de que a presidente da República tem se preocupado mais com a reeleição do que em governar. A aprovação da gestão Dilma Rousseff caiu de 55% para 31%. Em pesquisa anteriormente feita pelo mesmo instituto, a avaliação do governo já mostrava sinais claros de desgaste: caíra de 63% para 55%. O segundo acontecimento, preocupante, é o aumento nos índices de popularidade de Marina Silva e Eduardo Campos: Marina avançou para a segunda posição nas intenções de votos para as eleições de 2014, com 20,7%, contra 12,5% no levantamento realizado em junho; Aécio detém 15,2%, contra 17% em junho, e Eduardo Campos avançou de 3,7% das intenções na pesquisa anterior para 7,4%. Brancos e nulos são 17,9% - contra 8,4% em junho - e 5,4% não responderam. E o terceiro, desalentador para quem gosta de esperar as coisas boas acontecerem de braços cruzados e sem botar as mãos na massa, é a constatação óbvia de que, dentre todos os nomes sugeridos nessas pesquisas, não existe um ao menos que sequer represente, mesmo que distantemente, os ideais de uma economia de mercado e de um Estado posto a serviço dos cidadãos!

 

A queda de Dilma é auspiciosa porque seu partido, há dez anos no poder, tem feito de tudo para destruir o que foi construído aos trancos e barrancos pelo governo tucano: para não falarmos em corrupção, no inchaço irresponsável do Estado, nas manipulações das informações sobre o estado real das contas públicas e no aumento da carga tributária, vamos ficar com dois pontos extremamente negativos, a volta da inflação e os índices medíocres de desempenho da economia.

Isso tudo poderia suscitar a esperança de que, nas próximas eleições, o grupo de incompetentes que vem ocupando Brasília poderia ser defenestrado do poder pela força do voto. Porém, mesmo que isso venha a acontecer, o que as pesquisas indicam neste momento é que Dilma seria substituída por Marina, o que equivaleria a trocar o seis por meia dúzia, com a única diferença que o meia dúzia tem a fala mansa e o seis os ares de sargento mal humorado. Essa simples troca entre duas pessoas com visões bastante parecidas sobre o papel do Estado é, sem dúvida, preocupante. Talvez a única mudança viesse a ser que, para podarmos uma simples samambaia, teríamos que pedir licença a um órgão burocrático especialmente criado por Marina, para...podar samambaias.

A terceira notícia é em princípio desalentadora, mas não tanto se descruzarmos os braços. A predominância dos adoradores do Estado em nossa política é tamanha que vem eleição e vai eleição e não aparece um nome sequer que não pertença a essa seita que vem não somente impedindo nossa sociedade de se desenvolver como destruindo o que foi feito, sabe-se lá como. Estaremos condenados a continuar vivendo sob os controles de todos os tipos exercidos pelo Estado, pagando tributos exorbitantes, recebendo serviços públicos de péssima qualidade, convivendo com o grande mal que é a inflação e sendo tratados como tutelados pelo estado babá, sendo poucos os políticos que se dedicam realmente na defesa do chamado “bem comum”?

A meu ver só estaremos condenados a continuar vivendo assim se assinarmos nosso próprio decreto de condenação, votando neste e naquele membro da seita dos adoradores do Estado. Ao falar para mais de três milhões de jovens na praia de Copacabana o Papa Francisco fez questão de exortá-los a não se deixarem enganar pelos políticos. O povo mostrou claramente, ao ir para as ruas em junho, que está farto “disso que está aí”.

É exatamente neste caminho apontado por Francisco que o Instituto Mises Brasil tem que se aprofundar e estamos nos aprofundando. Na realidade, estamos seguindo essa estrada há cinco anos, desde a fundação do Instituto, mas agora é chegado o tempo de nos multiplicarmos, tal como as estrelas do mar.

Só existe uma saída para o Brasil e ela não é nem o Galeão e nem Guarulhos, mas o campo das ideias! Mises lembrava sempre que as ideias intervencionistas, socialistas e inflacionistas foram formuladas por intelectuais. Uma das passagens mais importantes do fenomenal “livrinho” As Seis Lições é aquela em que Mises afirma que “tudo o que ocorre na sociedade de nossos dias é fruto de ideias, sejam elas boas, sejam elas más. Faz-se necessário combater as más ideias. Devemos lutar contra tudo o que não é bom na vida pública. Devemos substituir as ideias errôneas por outras melhores, devemos refutar as doutrinas que promovem a violência sindical. É nosso dever lutar contra o confisco da propriedade, o controle de preços, a inflação e contra tantos outros males que nos assolam”. E finaliza com convicção: “ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão”.

Sim, ideias! Vamos continuar espalhando as ideias de liberdade por todos os cantos de nosso país, vamos apoiar firmemente os diversos grupos de estudos sobre a Escola Austríaca que vêm se formando em muitos estados, vamos continuar com os cursos on line da Universidade Mises, publicar nossa revista acadêmica e cada vez mais livros! Se não fizermos isso, nossos estudantes, que têm se manifestado claramente “contra isso que está aí” continuarão a ser manipulados por professores ideólogos, desde a mais tenra idade. Temos o que de melhor alguém pode possuir: boas intenções e argumentos! É só sabermos como fazer uso disso.

Nossa tarefa – cujo fruto será colhido pelas próximas gerações – é arregaçar ainda mais as mangas e apontar para os jovens os caminhos que levam à prosperidade. Apontar, e não impor, porque é importante que eles se convençam, pelo estudo e pela reflexão, que as boas ideias são mais fortes do que exércitos. Se fizermos isso, a terceira notícia poderá até ser desalentadora nas próximas eleições, mas nas seguintes as coisas poderão mudar para melhor.

Trata-se de um trabalho silencioso e todos sabemos que uma árvore, quando cai, faz mais barulho do que um bosque inteiro quando cresce. O povo nas ruas mostra que a árvore não está agradando. Nosso papel é mostrar aos jovens como semear o bosque e fazê-lo crescer usando os atributos da liberdade de escolha, da responsabilidade e da inteligência empreendedora. Este é o caminho. Único, mas indispensável! E o futuro nos cobrará isso.