Jan. 2014 - A AGENDA LIBERTÁRIA BRASILEIRA

Artigo do Mês - Ano XIII– Nº 142 – Janeiro de 2014

agInício de ano, tempo de trocar de agenda (para quem ainda usa aquelas encadernadas). Será esse o caso dos libertários do Brasil? Bem, todos nós sabemos que a Escola Austríaca vem crescendo de maneira fantástica aqui e em muitos outros países.  Um indicador disso é que mês após mês, desde 2008, quando o Instituto Ludwig von Mises do Brasil foi fundado, as visitas e comentários à nossa página vêm aumentando a taxas crescentes. Grupos dos Estudantes pela Liberdade também vêm se espalhando por diversos estados brasileiros e lutando bravamente, com sucesso cada vez maior, contra a maré estatista que inunda a mídia e o meio universitário. O Instituto Liberal do Rio – pioneiro, no final dos anos 80, da divulgação das ideias austríacas, embora não possamos dizer que era um centro austríaco como o IMB, já que sofria forte influência dos Chicago Boys - ganhou recentemente novo ânimo, novos diretores que simpatizam com a Escola Austríaca e esperamos que se possa juntar novamente como em seus primórdios a todos os que lutam pelas liberdades individuais em nosso país.

 

Em suma, creio não ser exagero afirmar que os valores econômicos, políticos e morais que defendemos estão se fortalecendo dia a dia e – o que é alentador – principalmente entre os jovens. Sucesso? Vitória espetacular do IMB? Goleada do libertarianismo sobre a servidão do cidadão ao Estado?

Até certo ponto sim, por tudo o que acabamos de escrever. Por favor, ma non troppo... Não podemos nos empolgar com os êxitos obtidos até aqui. Ainda somos minoria, muito pequenos proporcionalmente quando comparados aos "estatólatras” bem e mal intencionados. Começamos a sofrer ataques, o que mostra que já começamos a incomodar. Mas não podemos cruzar os braços e achar que vencemos a batalha das ideias, que é a que sempre decide a guerra.

Em 2014 teremos eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Fiquemos apenas com a de maior importância, que é a eleição presidencial. Cabe então a pergunta, cruel como um golpe de espada com que um soldado de Leônidas decepava a cabeça de um persa: qual, dentre os candidatos que se apresentaram até agora ao pleito presidencial, qual, minha gente, pelo menos se aproxima (nem vou escrever se identifica)  de nossas ideias?

Se alguém pensou em Aécio Neves errou feio, porque qualquer um que se conforme ao nosso modo de ver o mundo jamais teceria elogios públicos à atual presidente do país e o senador mineiro fez isso algumas vezes. Para mim, isto é condição para descartá-lo sumariamente. Ademais, seu partido, como o nome diz, é uma agremiação social democrata, bem distante de um partido autenticamente liberal ou libertário. Se você pensar que o neto de Tancredo é o que está menos distante do libertarianismo do que os demais, tenho que concordar, mas para mim esse argumento não é suficiente para me convencer a votar nele.

Dos demais candidatos/as nem vou me ocupar. Se o mineiro representa a esquerda poodle, eles são a esquerda pitbull. E a direita, como sempre, tem vergonha de mostrar a face e não apresentará nenhum candidato, talvez Ronaldo Caiado que, além de carecer de apoio político para vencer, também está distanciado das ideias que defendemos. Libertários? Ora, como sempre, nem um, um único e solitário varão sobre a terra. Nossos libertários e liberais, politicamente, são como a vida na lua.

Temos, então, duas conclusões. A primeira é que, queiramos ou não, teremos, no mínimo, mais quatro anos de esquerda no poder, seja com a reeleição da presidente ou com a vitória de seus principais oponentes. E a segunda é que, em face da primeira, temos que ter uma agenda de trabalho para, no longo prazo, revertermos esse quadro de domínio das ideias estatistas. No longo prazo – e Keynes, como sempre, estava errado – não estaremos mortos coisa nenhuma! E, se estivermos, já que não há escapatória para isso, aqui estarão nossos filhos e netos, nos quais temos o dever moral de pensar.

Por tudo isso, nossa agenda libertária deve ser a de prosseguir com o trabalho até aqui bem sucedido, procurando aprimorá-lo, para que atinja um número de pessoas cada vez maior. Nossa meta pode parecer ambiciosa, mas deve ser o crescimento exponencial.

Não escrevo este artigo em nome do Instituto Mises, mas como mensagem particular para todos os libertários brasileiros. Nosso trabalho é duro e, mesmo se o executarmos muito bem, ainda levará algum tempo até que nossas ideias se transformem em realidade, em termos de sermos efetivamente representados politicamente e de ajudarmos a melhorar a vida dos cidadãos brasileiros. Temos que ter paciência, muita paciência, trabalhar sem esmorecer um minuto, de maneira que, cada vez que, por volta de setembro deste ano, quando os apresentadores dos jornais na TV disserem que o candidato X lidera com y% das intenções de votos (com aqueles insuportáveis 2% para mais ou para menos), e sabendo que esse candidato ou candidata é completamente contrário às ideias libertárias, não nos sintamos desanimados, mas sim estimulados por nossos ideais mais vivos e bonitos a intensificar a luta por disseminação.

Temos que exercer as virtudes da paciência, da diligência e da esperança, na certeza de que quem espera sempre alcança.