Mar. 2014 - VENEZUELA: ¿DESPERTANDO A LA LIBERTAD?

Artigo do Mês - Ano XIII– Nº 144 – Março de 2014

 

venezTodos vêm acompanhando o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela, apesar da desinformação quase completa da mídia, por motivos óbvios. Foi-se o tempo em que as revoluções socialistas eram feitas com guerras. Os tempos mudaram e eles passaram a adotar a tática que Antonio Gramsci – Il  Gobbo – delineou da prisão: ocupar todos os espaços, especialmente na mídia, nas universidades, no ensino em geral, na cultura, enfim, em todos os campos da “sociedade civil”. Cooptação dos outros dois poderes por parte do Executivo. Enfraquecimento das Forças Armadas e criação de guardas nacionais. Um roteiro macabro, recheado de mentiras, populismo, nacionalismo doentio, demagogia e suspeitas de fraudes nas eleições, que foi seguido à risca e imitado por países vizinhos, como Equador, Bolívia e, depois, Uruguai e Argentina (embora nos dois últimos de uma forma menos escancarada). Tudo isso sob as trombetas, sempre jogadas para baixo do tapete pela mídia esquerdista, do Foro de São Paulo, de 1990.

 

Os socialistas odeiam Pinochet, muito mais do que as dezenas de outros ditadores, militares e civis, que governaram a América Latina no século passado, exatamente porque, no final dos anos 60 e início dos 70, aquele país estava prestes, sob Allende, a se tornar um país comunista, praticamente sem derramamento de sangue. E Pinochet acabou com o seu sonho, ou melhor, com o pesadelo dos que prezam as liberdades individuais, apesar de substituí-lo por uma ditadura. Mas aquela ditadura, além de consertar os estragos que Allende fizera na economia, encolheu o Estado, abriu a economia, restabeleceu a independência de poderes e, ao fim, promoveu eleições livres. E mais – horror dos horrores! – plantou as bases que transformaram o Chile em uma nação próspera e em uma democracia sólida.

Na Venezuela, desde que Chávez chegou ao poder invocando Bolivar, começou a implantação do socialismo. Em etapas: primeiro, a cooptação do Legislativo e do Judiciário, depois o rompimento com os Estados Unidos, a quem o coronel atribuiu a culpa pelos séculos de pobreza, com cheiro de enxofre, experimentados por um país produtor de petróleo. Depois, a nacionalização de empresas, a desapropriação de centenas de outras, a infiltração de cubanos nas Forças Armadas, os controles crescentes sobre os preços, as perseguições e o fechamento de órgãos de imprensa opositores. E presos, muitos presos “políticos”. Ora, um regime que mantém sistematicamente presos ditos “políticos” não pode ser levado a sério, seja de esquerda ou de direita.

Maduro, que, apesar do mesmo aspecto histriônico de seu antecessor, não tem o carisma do mesmo, prosseguiu com a tarefa, entre uma e outra conversa com passarinhos vestidos com as cores do país. Mas as sementes podres do chavismo, regadas por seu sucessor com a água da socialização crescente da economia e as restrições à liberdade de expressão, não tardaram a produzir os efeitos que todos conhecem: escassez de produtos básicos, desabastecimento caótico, inflação absolutamente fora de controle, imenso crescimento no número de crimes, empobrecimento das pessoas, famílias e do país.

Os protestos que ora se verificam por parte da maior parcela da população revelam claramente, por mais que a mídia amiga os tente esconder, a insatisfação generalizada dos venezuelanos, salvo aqueles que usam camisas vermelhas e são pagos com dinheiro e sanduíches para aparecerem em passeatas de “apoio” ao governo.

Não quero me alongar. Temos que aguardar o desfecho dos acontecimentos para ver no que vai dar. O fato é que a maioria dos venezuelanos, aqueles que vão para as ruas por amor à liberdade e ao próprio país, sem nada receberem e arriscando suas vidas, já mostrou que não suporta mais o estado de coisas que os perigosos bufões criaram na economia, na política, na justiça, nas universidades, nas manifestações culturais, no país, enfim. O governo, para reprimi-los, vem usando da força, sendo já grande o número de mortos nas manifestações. Mas nem isso tem impedido a onda de liberdade que começa a varrer o país.

Se Maduro vier a ser deposto, seus amigos do Foro de São Paulo (entre os quais o atual governo brasileiro) dirão certamente que houve um “golpe de Estado”, tal como fizeram quando o bispo garanhão Lugo foi constitucionalmente deposto no Paraguai. Como “castigo”, expulsaram-no do Mercosul, alegando o não cumprimento da “cláusula democrática”... São uns caras de pau mesmo. E isso não é de surpreender, porque uma das práticas mais utilizadas pelos socialistas é a de acusar seus inimigos daquilo que eles mesmos praticam sem o menor pudor.

Obama, que deveria estar sendo enérgico com o regime de Maduro, limitou-se a expulsar funcionários da embaixada da Venezuela em Washington e, tal como no perigoso caso da Ucrânia e da Crimeia, cruza os braços. Daquele mato não pode mesmo sair cachorro. Obama é uma invenção politicamente correta, não mais do que isso. A ONU e outros organismos internacionais tão inúteis e dispendiosos como ela, também cruza os braços. Transformaram-se em grandes Ongs de esquerda e não resolvem praticamente nada de útil, a não ser campanhas politicamente corretas.

A rigor, ninguém sabe o que vai acontecer. Os venezuelanos devem estar se sentindo sós e abandonados e isso é lamentável. Mas o vento da liberdade voltou a bafejar os rostos daqueles jovens com a sensação da esperança. E o povo parece ter despertado para o valor inalienável da liberdade.

¡Que Dios bendiga a Venezuela!