Out. 2014 - VOTO COMPULSÓRIO, “CIVISMO” ILUSÓRIO

Artigo do Mês - Ano XIII– Nº 151 – Outubro de 2014

eleitorNo próximo domingo, pela enésima vez, serei obrigado a votar em Chico para não votar em Francisco, que é mais demagogo do que Chico; a sufragar Sebastião para não votar no Tião, ladrão comprovado; a escolher entre Tiago, Jaime, Jacó e Diogo, nomes com o mesmo significado etimológico, todos defensores do Estado-babá e que também guardam em comum a mentira das promessas de campanha; a desligar a TV ou trocar de canal naquele vergonhoso horário eleitoral "gratuito (que não é gratuito coisa nenhuma); a ouvir apresentadores de jornais repetindo ad nauseam a frase mais redundante da língua portuguesa, aquela enojante "a margem de erro da pesquisa é dois pontos para mais e para menos". Chega! Não aguento mais! Desisto! Peço arrego! Vou juntar minhas trouxas e correr para o aeroporto! Viver no Brasil, estudar no Brasil, ser professor no Brasil, ser escritor no Brasil, amar o Brasil, até que é fácil, mas cada vez mais parece ser inútil!

 

 

A democracia não pode continuar sendo vista como um fim, porque é apenas um meio e, além disso, um meio repleto de imperfeições, embora, dentre as demais formas de organização social, muitos defendam que seja a “menos pior”. A democracia não é a panaceia – e está muito longe de ser -, como muitos ingênua ou solertemente pensam (os ingênuos) e impõem (os solertes).

Gente, eu não quero votar em nenhum desses candidatos que estão aí, nem para presidente, nem para governador, nem para senador e nem para deputado. Mas vou ser obrigado a fazê-lo, novamente! E duas vezes só neste mês, porque tudo indica que haverá segundo turno. Para mim, é evidente e patente que, mesmo se a democracia representasse solução para nosso país e o mundo, essa pergunta é mais do que pertinente: que democracia é essa - a nossa! -, em que o voto é compulsório e em que a propaganda quer nos empurrar goela abaixo que votar é um ato de “cidadania” e “civismo”?

Por isso, em protesto, vou parar neste ponto de escrever este artigo de outubro, não por preguiça, mas por frustração, desalento, desencanto, desilusão, chateação. 

E convido o leitor a preencher mentalmente o espaço delimitado pelo retângulo abaixo com todos os impropérios que lhe vierem à cabeça. Infelizmente, muitas vezes, palavrões são verdadeiros atos de civismo...

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