Mai. 2017 - A LIBERDADE VEM COM TUDO: A V CONFERÊNCIA DE ESCOLA AUSTRÍACA DO INSTITUTO MISES BRASIL

Artigo do Mês - Ano XVI– Nº 182 – Maio de 2017

'immagineNos dias 12 e 13 deste mês o Instituto Mises realizou a sua V Conferência de Escola Austríaca, na cidade de São Paulo. O evento aconteceu no belíssimo auditório Ruy Barbosa da Universidade Mackenzie e contou com a presença de vários conferencistas do Brasil e do Exterior, que palestraram e discutiram sobre diversos temas ligados à Escola Austríaca de Economia.

O balanço final da V Conferência me permite afirmar que, de fato, a liberdade vem com tudo! Há alguns anos, jamais poderia imaginar um auditório repleto, com cerca de 800 pessoas, todas atentas às diversas palestras e painéis em que cientistas sociais afeitos à tradição de Carl Menger expuseram ideias e propuseram soluções para diversos temas de natureza prática.

 

Impressionou-me a grande quantidade de jovens presentes e seu comprometimento com a defesa das liberdades individuais, bem como as muitas perguntas formuladas nas exposições e nos intervalos, em conversas no pátio e no próprio auditório.

Sem dúvida, um sopro de esperança de que cresce a cada ano o número de brasileiros que se cansaram de esperar pelo futuro e que se mostram empenhados em fazê-lo acontecer. Longe está o tempo em que minha voz solitária se esgoelava na academia para defender essas ideias, porque hoje vejo com alegria que a ela se juntaram e a cada dia mais se juntam vozes de colegas economistas, advogados, filósofos e cientistas políticos. Hoje não existe só uma voz, mas um coral completo, afinadíssimo com o compromisso de defender a liberdade e, sobretudo, de mostrar aos jovens que essa liberdade é o principal insumo do processo de trazer o futuro auspicioso para o presente.

Os conferencistas foram Helio Beltrão, Florian Bartunek, Dalton Gardiman, Bruno Garshagen, o russo Yuri Maltsev, os americanos Stephan Kinsella e Andy Duncan, o português José Manuel Moreira, o alemão Antony Mueller, o italiano Adriano Gianturco, Leandro Roque, André Luiz Santa Cruz Ramos, Ubiratan Jorge Iorio, Roberta Muramatsu, Fernando Ulrich, Rodrigo Saraiva Marinho, Paulo Scarano e Fabio Barbieri. Apresentando cada um de nós, a Professora Renata Ramos, que esbanjou conhecimento e simpatia, encantando a todos. Um verdadeiro cast de defensores da liberdade, mostrando como ela é importante para transformar a cultura intervencionista que permeia nosso país e o mundo de hoje, apontando todos os seus erros e falácias que tantos males vêm causando a muitos milhões de pessoas.

Confesso que, quando Renata me chamou para o púlpito e encarei aquele auditório repleto e com centenas de jovens ávidos por ouvirem o que iria dizer, não pude deixar de, por um breve momento, pensar nas grandes dificuldades que tive que enfrentar na academia a partir dos anos noventa, simplesmente por acreditar que os ensinamentos de Mises, Hayek, Rothbard, Kirzner e um punhado de outros herois – em um mundo marcado pela crença no deus-Estado – eram os mais indicados para gerar riqueza e tirar pessoas da pobreza. Não pude deixar de recordar a enxurrada de bobagens ditas por keynesianos, socialistas e economistas da mainstream durante anos a fio, assim como a arrogância dos que tratam a Escola Austríaca como se fosse algo puramente demodée e “intuitivo”, por sua concepção metodológica que rejeita o uso de modelos matemáticos para descrever a ação humana. Não pude deixar de pensar que, para publicar meu primeiro livro sobre a Escola Austríaca, em 1995, tive que praticamente mendigar para que fosse editado.

E, também, não pude deixar de pensar que, com o Instituto Mises, já publiquei, desde 2012, quatro livros, nem que outros virão, nem nas centenas de alunos aos quais consegui transmitir quão importante é a liberdade, que as falhas dos governos são infinitamente piores do que as alegadas “falhas de mercado”, que a democracia não é um fim, mas apenas um meio, que a inflação é a pura e simples emissão de moeda, que o desemprego é consequência dessa inflação, que os mercados são processos e não situações de equilíbrio, que a questão da limitação do poder dos políticos é fundamental, que o homo aeconomicus não existe, etc...

Depois dessa experiência da V Conferência, posso assegurar que não me arrependo um milímetro de tudo o que fiz e faço como acadêmico, escritor e professor, mesmo com os percalços que minha postura liberal me acarretou.

E, por fim, que, se não fosse o Instituto Mises, meu sonho teria sido certamente adiado e todo esse avanço da Escola Austríaca no Brasil não estaria acontecendo, nem existiria hoje em nosso país uma Rede Liberal, formada por vários institutos e grupos de estudos.

Tenho muito orgulho de ser o diretor acadêmico do Instituto e muita satisfação de ter convicção de que há vários outros colegas extremamente bem qualificados em nossa equipe. A liberdade está com tudo e vem com tudo!