Artigo do Mês - Ano XVIII– Nº 202 – Janeiro de 2019

 

Após mais de três décadas de governos de esquerda, essa gigantesca casa chamada Brasil está – parodiando aquela música do folclore baiano - um pardieiro só, um galinheiro só, um chiqueiro só. É impressionante o descuido de todos os inquilinos

que a ocuparam durante esses longos anos, ao ponto de deixá-la destroçada!

Ouvi dizer à boca pequena que o novo morador, antes de mudar-se com a família, enviou um representante para vistoriar o imóvel e tomar pé do estado das coisas e que, após minuciosa vistoria, o homem, um amante da linguagem das parábolas, escreveu o que se segue.

 “Ilustre Senhor Presidente”

“Cumprindo a tarefa designada por V. Exª, após cuidadosa vistoria do imóvel, passo a resumir o que encontrei e que devo confessar ter sido motivo de desagradável espanto”.

“Quebraram tudo, derrubaram paredes, levantaram outras onde não era preciso; encheram de terra pias e vasos sanitários e plantaram begônias, hibiscos e outras espécies, todas de coloração vermelha; arrebentaram todo o encanamento; criaram uma enorme gataria no sistema elétrico; destruíram o jardim e ali colocaram uma banheira velha para servir de piscina para a família e os amigos”.

“Em todos os aposentos, da porta na entrada à cozinha nos fundos, da varanda de baixo à sacada de cima, das salas e lavabo do térreo aos quartos e banheiros do segundo piso, passeavam desrespeitosamente aranhas de diversos tipos; pululavam alegremente pulgas de atrevimento invulgar; vagueavam tropegamente baratas de nauseante aparência e disputavam esportivamente a escalada lagartixas de variadas tonalidades”.

“No que restou de mobiliário e decoração, um verdadeiro desastre: desertas arcas cobertas de poeira e ainda marcadas pelo arrastar dos objetos decorativos furtados; invasivas buchas nas paredes onde antes estavam os valiosos quadros levados pela família de um dos inquilinos anteriores; pungente vazio na enorme adega antes repleta de Henry Jayer, Romanée-Conti, Côte de Beaune e outros vinhos das melhores safras, igualmente surrupiados pelo mesmo inquilino; despovoadas mesas em que descansavam muitas dezenas de garrafas vazias de cachaça Vale Verde, Havana e Armazém Vieira; imundos aparadores lotados de boletos de luz, gás, telefone, TV a cabo, IPTU e muitos bilhetes de cobranças diversas, todos ainda por pagar”.

 “E, para completar, em todos os cômodos, no telhado e do lado de fora, espantosos e incontáveis bandos de camundongos, ratos -, de teto, de forro, de navio e pretos, sendo que pouco mais de uma dezena destes últimos, vistos de cima, de tão gordos, altivos e emproados, davam a ilusão de que usavam togas; e ratazanas – sim, milhares delas, de esgoto, cinzentas e pardas. Um fato estranho que não consigo explicar é que todos – camundongos, ratos e ratazanas – pareciam portar crachás onde se viam estrelas vermelhas”...

Diante desse triste e devastador panorama, o emissário assim encerrou sua missiva:

“Posto isso tudo, posso afirmar que para consertar tantos estragos nem mesmo uma boa faxina, por melhor que seja executada, será suficiente: é preciso fazer urgentemente uma super-reforma, uma obra que só deixe de pé a estrutura do imóvel. E, naturalmente, uma cuidadosa dedetização e desratização.”

“Atenciosamente”

“P. Ipiranga do Amaral, Vosso Emissário Liberal”

 

Essas parábolas retumbam fielmente o estado lamentável do Brasil que o novo governo herda no limiar do ano da graça de 2019, centésimo nonagésimo sétimo da Independência, centésimo trigésimo do golpe republicano e – que Deus o queira! – primeiro da Libertação dos cidadãos brasileiros da servidão ao Estado.

Quanta destruição, quanto desrespeito aos cidadãos, quanta incompetência, quantas ladroagens e gatunices deixadas como herança pelos trinta e tantos anos de esquerdismo para nós e nossos filhos e netos pagarem!

Mãos à obra, então, porque já perdemos muito tempo apostando em devaneios, acreditando em fantasias, afogando-nos em utopias e iludindo-nos em quimeras. É preciso começar rapidamente a super-reforma: previdência, encolhimento do Estado, descentralização política, econômica e administrativa, privatizações, desburocratização, desregulamentação, soberania do consumidor, produtividade, eliminação de milhares de cargos criados para incrustar apadrinhados e companheiros na máquina pública, competitividade, respeito ao livre mercado, abertura do caminho para o empreendedorismo, abertura econômica, extinção da “justiça do trabalho”, reforma do processo penal, redução forte de impostos e tributos, cortes permanentes de gastos do governo, contrarrevolução cultural, extirpação do método Paulo Freire das escolas, universalização de pensamento nas universidades públicas, política externa compatível com a grandeza do país e muito, muito mais.

Sim, sei que há muitas tarefas a serem feitas e praticamente todas são urgentes; sei que quatro anos de mandato não serão suficientes para completá-las; e sei também que as resistências serão enormes e que haverá muito barulho, porque os partidos que destruíram a casa jamais se conformarão com a ordem de despejo que o povo lhes entregou.  

Mas podemos – e devemos! – encarar esses enormes desafios com o mesmo otimismo e a mesma coragem dos que lutaram durante mais de três décadas contra a social-democracia e o socialismo, muitas vezes solitariamente, mas sem nunca terem desanimado, por saberem que um belo dia os brasileiros despertariam do pesadelo da servidão. A diferença, grande, enorme, é que agora não estamos mais sós, porque o clamor da liberdade ecoou solene e levou àquela que talvez seja a mais importante mudança de rumo de toda a história brasileira.