Artigo do Mês - Ano XVIII– Nº 210 – Outubro de 2019

 

As universidades públicas brasileiras são o caminho certo para transformar o filho que você criou com tanto amor e carinho em um robô, programado para repetir incessantemente, na boca e na prática, todo o repertório socialista-comunista, de que fazem parte a luta de classes, o controle do Estado sobre a vida dele e a sua, o desestímulo ao trabalho e ao mérito, a insuflação ao ódio entre brancos e negros, mulheres e homens e heterossexuais e homossexuais, o horror à iniciativa privada, ao lucro e ao capitalismo, a aversão à religião (especialmente ao Cristianismo), a contestação da instituição da família, o relativismo moral, o descuido com a própria higiene, a imposição de maluquices e depravações como se fossem manifestações realmente artísticas, a tolerância às drogas e aos bandidos e outras coisas do gênero, que são ensinadas como sendo necessárias para a “libertação”, como verdades absolutas e inoculadas em suas cabeças. 

Esse triste quadro não acontece por acaso. É, como sabemos, fruto de décadas de um trabalho consistente e rigoroso de aplicação dos métodos frankfurtianos e gramscianos de ocupação de espaços em toda a estrutura do sistema cultural, para fazer a “revolução”. E também não se limita ao ensino superior, porque desde a mais tenra idade as crianças são submetidas à pedagogia freireana dos oprimidos, que não passa de uma forma rebuscada de incutir a praga do comunismo em suas cabeças,de  um eufemismo para o mote ‘educar para a revolução’.

Quando pisei pela primeira vez na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), nos idos de 1991, para me informar sobre aquele concurso para docente da Faculdade de Ciências Econômicas por meio do qual, três meses depois, ingressei no Departamento de Análise Econômica, fiquei espantado com a quantidade de barraquinhas de partidos políticos, todos de esquerda, localizadas no “queijo”, como é chamado na intimidade dos que conhecem o campus do Maracanã, um pequeno bloco de concreto circular que existe no térreo, perto do acesso aos elevadores. Ali vendiam de tudo, pins, bottons, chaveiros, bonés, bandeiras, camisetas, folhetos, jornais em que se lia fora Collor e outras bugigangas, mas, sobretudo, vendiam as mercadorias ilegais – que não podem ser toleradas, especialmente em uma universidade - da ilusão do paraíso socialista, da quimera da utopia igualitária e da fábula da justiça social, que costumam ser atraentes para muitos jovens bem intencionados. 

A partir de março de 1992, quando lá iniciei a atividade de docente e até 2018, quando (sabiamente) aposentei-me, aquela impressão inicial só se confirmou e – pior! – deixou de ser uma aborrecedora suposição para transformar-se em uma assustadora assombração, que – pior ainda! – agigantou-se com o passar dos anos, especialmente a partir da virada do século, quando a ocupação do PT em nível federal estendeu sua influência à maioria dos estados. 

Universidades públicas não deveriam estar sujeitas às chuvas e trovoadas das influências políticas e nem às tempestades de ideologias de qualquer matiz, mas, infelizmente, não é isso o que acontece: elas vêm progressivamente se afastando da ciência e se entregando apaixonada e alucinadamente aos objetivos dos partidos de esquerda. Uma das funções das universidades é produzir conhecimento e, principalmente no caso das ciências sociais, influenciar indiretamente os programas dos partidos, mas o que está acontecendo é exatamente o contrário. Ao invés de coelhos comerem cenouras, estas é que passaram a devorar os simpáticos leporídeos. Sim, porque é preciso combater a “dominação” que esses seres dentuços e orelhudos exercem sobre o meio ambiente de que os vegetais fazem parte. 

É muito chato escrever isso, mas hoje em dia é impossível escrever sobre as universidades públicas sem falar em política e na influência negativa que esta exerce sobre elas. No caso específico do Rio, para ficarmos apenas na chamada Sexta República, iniciada em 1985, de Brizola (PDT) a Pezão (PMDB), experimentamos, no Palácio Guanabara, quase todos os tons de esquerdismo, populismo, sindicalismo, trabalhismo e socialismo, passando, sucessivamente, por Moreira Franco (PMDB), novamente Brizola e Nilo Batista (PDT), Marcelo Alencar (PSDB), Garotinho (PDT e PSB), Benedita (PT), Rosinha (PSB e PMDB) e Cabral (PMDB, dois mandatos). Vamos, venhamos, suponhamos e convenhamos, não são muitos pernas de pau no mesmo time? É óbvio que os eleitores fluminenses viessem a ser cobrados por suas más escolhas. Não à toa, o estado do Rio de Janeiro, outrora um gigante com 2 metros de altura, foi encolhendo e metamorfoseando-se até atingir o estágio de um pigmeu de 1,50 m.

A cada mudança de governador e eleição para reitor, acontece um grande minueto de troca de cargos e de influências, mantidos pelos impostos pagos pelos fluminenses. O mesmo acontece em nível das federais. Com o pretexto de exercer a democracia, há eleições para praticamente tudo: reitores, chefes de centros, diretores de unidades, chefes de departamentos, em uma democracice aguda que, entre outros males, estimula a demagogia, sendo que na maioria dessas eleições, além de professores e funcionários administrativos, os alunos também votam e, em algumas universidades, seus votos têm o mesmo peso daqueles que passam 30 ou mais anos de suas vidas nos campi. Os chamados centros acadêmicos possuem forte poder político e de barganha, a ponto de influenciarem diretamente os candidatos aos cargos de escalões maiores. Em suma, um verdadeiro absurdo.

Foi um interminável remar solitário e contra a correnteza quando, movido pelo ideal de melhorar aquilo, convenceram-me a concorrer à direção da minha faculdade e acabei ganhando a eleição (de uma candidata petista) e acreditei ingenuamente que poderia resolver o problema da pobreza crônica de recursos, tornando a unidade menos dependente da centralização absoluta de recursos e da consequente discricionariedade da reitoria, mediante a atração de patrocínios de empresas privadas capazes de modernizar a infraestrutura, em troca de exposição de suas marcas e programas de treinamento profissional de nossos estudantes. Tentei também criar cursos de pós-graduação lato sensu, pagos. Tudo em vão. Fui considerado veladamente um “mercenário”. 

Senti outro tipo de decepção quando se discutia no fórum de diretores a adoção de cotas raciais (a UERJ foi a primeira no país a adotá-las) e fizeram uma votação e  das mais de 50 unidades, apenas duas votaram contra, a Economia e a Medicina. A mesma decepção e com placar idêntico aconteceu quando resolveram bajular o assassino Fidel Castro e bajulá-lo com o título de doutor honoris causa. Com essas e outras, você não desanimaria? 

A única realização que considero boa em minha bem pouco agradável passagem pela direção, foi a de ter conseguido esvaziar a influência do centro acadêmico, em que perambulavam aqueles alunos maltrapilhos, barbudos e com matrículas mais velhas do que Matusalém, e em seu lugar estimular a criação da Economus, uma das primeiras “empresas juniores”, que obteve rapidamente estrondoso sucesso, tendo contado, inclusive, em sua segunda gestão, com o ótimo aluno Paulo Ganime, hoje um grande representante das ideias liberais na Câmara, onde está exercendo seu primeiro – e espero que venham a ser muitos – mandatos como deputado federal (partido Novo). 

Limitei-me ao caso da UERJ por uma questão de espaço e, claro,  por ter feito parte dele. Mas o que escrevi se aplica a todas – sim, a todas! – as universidades públicas no Brasil. [Ver, por exemplo, o artigo do mês de junho de 2019]. 

Lá, como em todas as universidades públicas, imperam inequivocamente quatro grandes mentiras, que comumente são fundidas em uma frase, usada como verdade incontestável pela mentalidade esquerdista e repetida em reuniões “acadêmicas”, em greves (em 26 anos na UERJ, sem exagero, devo ter presenciado a mais de 40 greves, ou seja, a algo como 0,75% do total de  semestres letivos), em passeatas, em atos, em abraços, em festas regadas a sei lá o quê e em manifestações supostamente artísticas.

Trata-se da fábula das quatro falácias, a da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.  

Universidades não são públicas, elas só pertencem a governos, porque você não pode descer do metrô, entrar no campus, assistir aulas, fazer provas, etc.

Universidades não são gratuitas, porque os alunos não pagam, mas os pagadores de impostos, em que se incluem os alunos ou seus responsáveis, pagam compulsoriamente. 

Universidades só são de qualidade se o mercado absorver os que se formam nelas, mas quando os esquerdistas falam em qualidade estão, mesmo sem que o percebam, falando em intensidade da doutrinação. 

Por fim, falar em universidades socialmente referenciadas ou é um pleonasmo, já que todas são, por estarem inseridas na sociedade, ou é uma grande bobagem, no sentido empregado pela nuvem de gafanhotos de esquerda que as ocupam, de que ser socialmente referenciada significa ser comprometida com as causas socialistas.

Depois de décadas de degradação esquerdista, visivelmente açodada durante o período das trevas do PT, o desafio da educação e, dentro dele, o das universidades, que se impõe aos primeiros governos que se posicionam contra o socialismo (em Brasília e no estado do Rio) é, simplesmente, monstruoso e demandará no mínimo duas décadas para ser inteiramente vencido. Mas, definitivamente, basta dessas universidades de uma nota só.    

Por isso, para que voltemos a desejar que nossos filhos e netos estudem em universidades públicas, penso que seja nosso dever apoiar o ministro Abraham Weintraub e defendê-lo diante da campanha sistemática de desqualificação que move contra ele toda essa turma que mencionei aí em cima.

Porém, para não dizerem que não o critico, asseguro que o som que tira daquela terrível gaita não é lá dos mais agradáveis...