CONTEMPLANDO O PRESÉPIO

24/12/2012

pres1Hoje não é dia para escrever sobre economia nem sobre política. Nesta noite os cristãos de todo o mundo celebram, diante do Presépio, o maior acontecimento da história da humanidade. O amor de Deus refulge no coração dos homens, "porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

O verdadeiro espírito do Natal é a mensagem de esperança representada por aquele recém-nascido em uma humilde manjedoura, que deseja nesta noite estar presente em todos os lares cristãos – e, por que não dizer, em todos os lares -, porque a esperança genuína, que se celebra há dois mil e doze anos na noite de 24 de dezembro, é universal e necessária para a própria felicidade da pessoa humana, embora muitos não creiam nela. É a Spes Salvi, a esperança que nos salva; que nos enche de alegria; que é alento para as árduas lutas desta vida; que nos fortifica para a outra, a eterna; e que nos move para diante, em busca de nossos bons propósitos e da vitória final, em uma civilização infectada pelo laicismo mundano, por doutrinas exclusivamente utilitaristas e pela desesperança.

 

Não vou cair no lugar comum e dizer que a festa de hoje se “materializou”, até porque não existe nada de errado em dar e receber presentes, nem em lucrar com a produção e venda destes, já que, do ponto de vista sentimental, representam alegria e sinal de amor e afeto por parte de quem os dá para com quem os recebe. E, do ponto de vista econômico, de quem compra, vende e lucra, como poderia um ardente defensor da economia de mercado dizer que isto é “errado” sem contradizer-se? Em suporte a essa minha afirmativa recomendo a leitura do artigo As lições econômicas de Belém, de Lew Rockwell, publicado no Natal de 2010 na página do Instituto Mises Brasil.

Mas é importante não esquecermos que a essência do Natal não é esta; não está em congratulações, mas em corações; nem em crediários, mas em relicários; nem em embriagamentos, mas em acalentos; e nem em comilanças, mas em bem-aventuranças.

pres2Infelizmente, quase não se vê mais símbolos religiosos nas ornamentações natalinas, que crescem em sofisticação, mas se tornam cada vez mais “politicamente corretas”. A antirreligiosidade e o relativismo moral procuram descaracterizar a fé, como se fosse antagônica à razão - quando ambas são sabida e claramente complementares -, e pintam voluptuosamente os valores do cristianismo ou como ultrapassados ou como apenas mais uma das mercadorias expostas nas gôndolas de um supermercado, ao lado de outros incontáveis “sistemas éticos e morais”. Há poucos dias um prefeito politicamente chato de uma cidade nos Estados Unidos mandou mudar o nome da árvore de Natal que a prefeitura ergueu na cidade para “árvore de fim de ano”. Pensa o alcaide que tradições, usos e costumes centenários podem ser alterados com uma simples canetada...

A noite de hoje é propícia para meditarmos, diante do Presépio, sobre essas investidas orquestradas contra o cristianismo e, especialmente, contra a Igreja de São Pedro. Os ataques são antigos, mas vêm se intensificando nos tempos modernos sob o argumento da “separação” entre a Igreja e o estado. É evidente que Igreja é uma coisa e estado é outra e que suas finalidades são diferentes, mas também é verdade que isto não significa que os homens do chamado estado laico devam “separar-se” dos princípios de boa moral e, portanto, abandoná-los. Só os idiotas da laicidade não veem isso!

    Não é usual um economista escrever sobre estes assuntos, mas um dos maiores vícios da ciência econômica moderna é justamente o de ter-se afastado de suas origens humanistas da Filosofia Moral, onde tudo começou, com São Tomás de Aquino e, posteriormente, com os pós-escolásticos, com David Hume e Adam Smith. Os cursos de economia precisam voltar a formar consciências humanistas, porque os agentes econômicos não são engrenagens mecânicas, têm cérebro, coração e alma e, sendo a economia do mundo real o resultado de milhões de ações praticadas por indivíduos, é necessário que estes busquem pautar aquelas por fundamentos morais sólidos. Aliás, não apenas as ações econômicas, mas todas as ações humanas devem basear-se em valores morais que a tradição demonstrou serem insubstituíveis.

     Desejo aos meus leitores, católicos e de qualquer outra religião, agnósticos e ateus, um feliz Natal e que o Menino do Presépio, personificação do amor de Deus, esteja de alguma forma presente nos seus lares na noite de hoje e em todos os dias do Ano Novo. Aos que professam a minha fé sugiro um pensamento de gratidão a Maria, nossa mãe e que nos trouxe a Esperança definitiva, com o seu memorável “faça-se”, que transformou a história.

Alegria, esperança, paz e saúde! Um santo Natal!