SEJAMOS OTIMISTAS!

07/01/2013

farolQuero começar o ano escrevendo coisas boas, que nos possam ajudar a enfrentar o verdadeiro hospício estatista em que transformaram esse nosso mundo, especialmente em minha área de maior interesse, a economia. Para ser sincero - aliás, como sempre tento ser -, só consegui encontrar um tema que atende a essa minha justa busca por otimismo: a curiosidade - que tento transformar em interesse e, posteriormente, em conhecimento - cada vez maior de jovens pelos ensinamentos da Escola Austríaca de Economia e que tem levado a um notável crescimento da tradição de Carl Menger. 

Sem qualquer exagero, tenho ficado impressionado com o número de mensagens de jovens de todas as partes do Brasil e de outros países, muitos deles estudantes universitários, mas também vários alunos do ensino médio, pedindo orientação para que tomem maior conhecimento com as ideias libertárias de Mises, Hayek e outros economistas austríacos. Alguns são professores universitários dos lugares mais distantes que se possa imaginar, solicitando diretrizes curriculares e reading lists. Como isso é bom! Todos eles queixam-se de que em suas faculdades ou colégios praticamente todos os seus professores ou colegas ou são keynesianos ou marxistas (o que, para mim, dá no mesmo, pois keynesianos nada mais são do que marxistas, digamos, "domesticados").

 

Nessas trocas de mensagens, gosto sempre de dizer a eles duas coisas. A primeira é uma famosa frase de Mises, a de que basta haver um solitário professor que tenha as ideias certas - e que saiba transmitir sua lógica - em um departamento, para que um grande número de alunos se interesse e busque aprofundar-se nelas. A esse respeito posso, por experiência própria, assegurar que o "bom velhinho", como sempre podemos esperar dele, estava coberto de razão. E a segunda, que decorre da anterior, uso para incentivá-los a não abandonarem seus intentos diante das enormes dificuldades representadas pela cultura predominantemente estatista: é que, se você tem convicção de que as suas ideias são corretas, então siga a máxima: o sentido é mais importante do que a velocidade!

Evidentemente, não podemos nos iludir esperando que o mundo se tornará libertário de uma hora para a outra, porque, do jeito que as coisas estão, trata-se de um processo que demandará pelo menos duas gerações. Mas o importante - e que sempre tento passar aos jovens que me procuram -, é que é nosso dever trabalhar para deixar um mundo bem melhor para nossos netos e bisnetos, um mundo em que prevaleçam os valores da liberdade individual, do respeito aos direitos de propriedade e dos valores morais. Em outras palavras, nosso otimismo deve ser de longo prazo, pois, embora no curto prazo estejamos perdendo claramente o jogo, se continuarmos semeando as ideias libertárias, poderemos certamente  "virar essa partida"!

A Escola Austríaca ainda é a menor quando comparada às abordagens alternativas da economia, muito embora seja a mais antiga. Mas, claramente, é a que mais vem crescendo em todo o mundo! E essa é a razão de minha mensagem otimista. A experiência seminal do Mises Institute, de Auburn, nos Estados Unidos, tem frutificado rapidamente em todo o mundo e a crise por que passa a economia mundial, com a flagrante ineficácia dos "remédios" que vêm sendo administrados, vem contribuindo para redespertar o interesse pelos economistas austríacos. Isso dá razão a São Paulo, quando escreveu omnia in bonum (tudo é para o bem)...

No Brasil, em particular, nosso Instituto Mises tem feito um trabalho espetacular e muito bem aceito no sentido de mostrar a milhares de jovens que a Escola Austríaca é a melhor forma de abordar a economia do mundo real e que teoricamente sua lógica é irrefutável. Já escrevi em outro artigo e torno a escrever: o Instituto Mises Brasil me fez voltar a acreditar que valeram a pena tantos anos de lutas e me revigorou para continuar lutando com forças ainda maiores por muito tempo ainda.

Além do IMB, outra experiência que me deixa otimista é a do Cieep - Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista: com enormes dificuldades para captar recursos, estamos divulgando com denodo espartano, há quase onze anos, os fundamentos morais das sociedades livres, na linha do Acton Institute, que também vem se espalhando por diversos países. O Cieep é algo como o braço brasileiro do Acton, embora não existam ligações formais entre ambos. E é reconfortante notarmos que o público de nosso Centro é predominantemente formado, a exemplo do IMB, por jovens.

Sejamos, então, otimistas! Trabalhemos duro para transmitirmos nossas ideias de liberdade para o maior número possível de pessoas, principalmente jovens! E não esmoreçamos diante das dificuldades que certamente vão surgir, até porque talvez a maioria delas seja apenas aparente e, portanto, facilmente superadas por argumentos lógicos!

Olhemos para o futuro com um farol de milha e deixemos as lanternas para nossos adversários! Só assim nossos descendentes poderão desfrutar de uma sociedade de pessoas livres.