ANGUES IAM MORDENS CALCANEOS VIRIS OECONOMIA !

(E AS SERPENTES JÁ PICAM OS CALCANHARES DOS HOMENS DA ECONOMIA)!

23/01/2013

snakeOntem alertamos para o fato de que os gramados dos Ministérios da Fazenda e Planejamento estavam repletos de serpentes escondidas e prontas para, sorrateiramente, darem os seus botes. Pois não se passou nem um dia e perigosas áspides (cobras naturais da Europa, tal como o homem que comanda a Fazenda, nascido na bela Gênova) já se deliciam picando os calcanhares branquelos dos responsáveis pela política econômica.

Como escrevemos diversas vezes, essas tentativas da pior equipe econômica de todos os tempos de “turbinar” a economia, ou aumentar o pibinho mediante expansão do crédito e mágicas amadorísticas sempre vão fracassar. As víboras da inadimplência, dos calotes e do endividamento, de um lado, e cascavel da inflação, de outro, já dão seus primeiros botes.

Assim, os atrasos acima de três meses como proporção do PIB atingiram 7,8% em novembro último, contra 5,7% em novembro de 2011; o endividamento das famílias como percentual da renda auferida nos últimos 12 meses chegou a impressionantes 44,6%, também em novembro, contra 39,1% no mesmo mês de 2011; o mercado financeiro já revê pela terceira vez consecutiva a expectativa de inflação (medida pelo IPCA) para cima, agora para 5,6%; e o boletim Focus, que reflete pesquisa coordenada pelo Banco Central, reajustou para baixo a estimativa de crescimento do PIB, em 2013, para 3,19%, já projetando para 2014 uma inflação de 5,5%. São otimistas esses caras.

 

E – that is incredible! – já existe uma meta paralela para a inflação, por parte do Comitê de Política Monetária: a meta oficial, como sabemos, é de 4,5%, mas os franco-atiradores de meia tigela do Bacen já não miram no centro do alvo, mas acima dele, em 5,5%. Isto significa, em português claro, que já entregaram os pontos. Será que incompetência tem limites? Se tiver, a dessa equipe tende certamente para + ∞!

Antes eu me irritava lendo os comentários dos ditos “especialistas” sobre dados desse tipo. Agora eu me divirto. Garanto que é bem melhor para o fígado. Alguns dizem coisas coerentes, como o fato – elementar – de que os bancos não gostam de conceder crédito para quem está inadimplente. Ou de que a expansão do crédito imobiliário, de cerca de 30% de novembro de 2011 a novembro de 2012, não será suficiente para sustentar o boom de crescimento. O economista que afirmou isso tem boa intuição, mas desconfio de que nem sabe quem foram Mises, Hayek, Rothbard e outros austríacos. Se soubesse, afirmaria que esse fato já era líquido e certo quando o governo começou a reduzir gradualmente a taxa básica, na segunda metade do segundo mandato do Sr. Inácio. Isso porque essa expansão de crédito não era lastreada em poupança, mas em discursos eleitoreiros e esses setores, que ficam nos primeiros estágios da estrutura de produção, são os primeiros a reagirem positivamente às baixas artificiais da taxa de juros, mas que em seguida surge um cabo de guerra (tug of war) entre esses setores e os de bens de consumo, que estão nos últimos estágios da estrutura de produção, com forte pressão para que as taxas de juros subam. E que se o governo, do qual o presidente do banco central é um simples cumpridor de ordens, insistir – como tudo indica - em manter os juros abaixo dos níveis em que deveriam estar, não só não haverá crescimento como o pibinho poderá se transformar em pibinhozinho, para desespero da presidente do país.

Dolent serpentium ictus, sed adversi populo. Em português, isto quer dizer mais ou menos que “as picadas das cobras são dolorosas, mas doem mesmo é no povo”.