OLHA O “TIGRÃO” AÍ, MINHA GENTE!

08/02/2013

tiggerNão! Não é o que você pode estar pensando - que se trata de um grito de guerra de algum puxador de samba para animar sua escola a começar o desfile. Refiro-me ao tigre da inflação, que está de volta à nossa casa sem fazer qualquer cerimônia.

O presidente Collor, em seu primeiro dia de governo, ao sequestrar 80% de toda a poupança financeira de cidadãos e empresas, declarou, com aquela empáfia que lhe é característica, que as medidas daquela senhora amadora que ocupava a Fazenda “haviam matado o tigre da inflação”. Pois bem, o que aconteceu – e que era facilmente previsto – foi que o tal tiro matou todos os animais da floresta econômica, menos o tigre... Ou melhor, o tigre e alguns privilegiados que tiveram acesso à inside information.

 

Decorridos mais de vinte anos daquela barbaridade, é triste ter que escrever novamente que a incompetência sempre cobra, mais cedo ou mais tarde, seu próprio preço. E a conta da inépcia chegou neste início de 2013. Infelizmente, quem vai pagá-la não são os inaptos e ineptos da equipe de Dilma, mas todos os cidadãos. Desde que os “desenvolvimentistas” de meia tigela passaram a ocupar as pastas econômicas, o Banco Central e o BNDES, tudo o que está acontecendo com o PIB e a inflação já era de se prever. Quem duvidar é só ler os artigos de economistas austríacos escritos a partir do momento em que a presidente assumiu seu trono na capital das maracutaias. Com a saída de Meirelles do Banco Central e as primeiras declarações do novo presidente daquela instituição, Alexandre Tombini, até o mosquito da dengue poderia antecipar que a inflação escaparia atroz e o PIB encolheria veloz. Não se trata de adivinhação, nem de pretensão de ser melhor do que ninguém: é só a boa teoria econômica, aquela de Menger, Mises, Hayek e dos demais austríacos.

Agora, Tombini admite pela primeira vez que a inflação de janeiro medida pelo IPCA – de 0,86%, o maior crescimento mensal em dez anos, levando a um acumulado de 6,2% em doze meses -, está “pressionada”, mas insiste na tecla de que ainda não existe qualquer descontrole inflacionário. Existe sim, senhor Tombini, porque o Banco Central e a equipe econômica de Dilma não têm medido esforços, de um lado, para fazer os índices de preços explodirem de novo e, de outro, para fazerem o PIB implodir!

Esses “desenvolvimentistas” de araque destruíram os fundamentos fiscais, mesmo fraudando as contas públicas com mágicas, truques contábeis e transferências, via BNDES e Petrobras; acabaram com o sistema de câmbio flutuante e, com isso, detonaram o sistema de metas de inflação; e, para completar o serviço, arrasaram o regime monetário – algo que Meirelles não deixou os políticos fazerem -, desde o momento em que passaram a utilizá-lo como um banco de desenvolvimento.

A tabela abaixo fala por si.

 

 

 table

A nossa taxa de poupança era de pouco menos de 16% do PIB em 2009 (os dados de 2010, 2011 e 2012 ainda não estão no metadados do Ipea), o que representa um percentual ridículo para uma economia que precisa crescer, enquanto a de investimento era de ridículos 19% do PIB em 2011 (o resultado de 2012 também ainda não está naquela fonte).

A farra está nas contas públicas, na taxa de câmbio manipulada (que não aparecem na tabela) e nos chamados agregados monetários, desde a base monetária - que se mantém relativamente estável desde 2006 -, e passando pelas diversas definições de moeda, do M1 ao M4.

A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos é claríssima: expansões de moeda e crédito não lastreadas em poupança genuína provocam no início uma ilusão nos investidores, levando a economia a inchar nos setores mais afastados da estrutura de capital. Porém, quando os agentes percebem que não se tratava de poupança, mas de crédito fantasiado de poupança, a economia “desincha” e a inflação – que já existia desde que o crédito foi expandido artificialmente – começa a aparecer no termômetro que, no caso, é o IPCA.

tigger1E, com o tigre, voltou também aquela lengalenga de se apontar “culpados" pela inflação mensal. Por exemplo, segundo Tombini, a culpa pela “inflação” em janeiro é do cigarro, cujo preço subiu mais de 10%. Exatamente como aquela arrogante senhora, a ministra de Collor, que chegou a colocar a culpa no cafezinho e no “cartel das pizzas”. Parece que demos vários passos em direção a um triste passado. Estão destruindo o Real.

A inflação medida pelo IPCA vem se acelerando desde agosto de 2012: 0,41%, 0,47%, 0,59%, 0,60%, 0,70% e 0,86%. No mês de janeiro, como vimos, a explicação é que o cigarro teve alta de mais de 10%, e os alimentos permanecem pressionados. Tombini prossegue afirmando que o Bacen está “atento” e que reagirá ao tigre quando for preciso. Em particular, uma de suas declarações é espantosamente ridícula: “A expectativa do Banco Central é de que a inflação em 2013 seja menor do que a de 2012, porém a situação não é confortável e, por ora, o BC está avaliando tudo". Mamma mia!

Quando vão aprender que o IPCA, como qualquer outro índice, é uma média ponderada e, sendo uma média, sempre haverá elementos que estão acima e elementos que estão abaixo dela?  Sendo assim todos os meses é fácil encontrar um culpado pela “inflação”: basta verificar qual dentre os primeiros se afastaram mais da média - e tome pau nele!

Senhor Tombini – aliás, senhores da equipe econômica em geral -, leiam Mises e os austríacos, especialmente A Grande Depressão de Rothbard, que acaba de ser lançada no Brasil pelo IMB. E aprendam de uma vez por todas que expansões  de moeda e de crédito sem lastro em poupança provocam uma euforia inicial, seguida de indigestão! Leiam Hayek, especialmente quando escreveu que não existe conundrum  entre inflação e desemprego, pela simples razão de que não se pode comer demais sem ter indigestão. O desemprego é consequência da inflação e, portanto, já podemos esperar por ele. É só aguardar mais um pouco.

Haja Engov! E haja paciência para aguentar tanta incompetência.