O ESTADO, LADRAVAZ CONTUMAZ

07/03/2013

ladTodos nós conhecemos aquela famosa frase de Frédéric Bastiat, a de que “o estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”. Não obstante Bastiat seja e sempre será um dos meus autores preferidos, quero dizer que, embora tenha passado anos crendo nessa afirmativa, atualmente já não a considero representativa da verdade, pelo menos a que nos cerca no mundo de hoje. Em defesa de Bastiat, devo frisar que ele escreveu na primeira metade do século XIX, tempos em que o estado, embora já fosse o ladrão de sempre, ainda não se tinha transformado no ladroaço desavergonhado e cínico que temos atualmente. Estou certo de que, se fosse vivo, ele concordaria com minha discordância e reveria sua frase.

Por que discordo de um de meus principais gurus? Bem, primeiro, porque o estado, infelizmente, não é nenhuma ficção: ele existe – existe mesmo! - e para mal de todos, exceto daqueles que nele se locupletam. Segundo, porque não é “todo mundo” que se esforça para viver à custa de todo mundo, mas sim poucos (comparativamente ao total da população) que querem viver à custa da quase totalidade da população. E terceiro, porque não precisam fazer grandes “esforços” para conseguirem seu intento.

 

Como observou Walter E. Williams, professor de economia na Universidade George Mason, quando a propriedade legal de uma pessoa é tomada por um indivíduo, chamamos de roubo. Quando é feito pelo governo, utilizamos eufemismos: transferência ou redistribuição de renda". Na mosca! O estado, por sua própria natureza, nada mais é do que uma quadrilha de gatunos formada com o intuito de nos subtrair compulsoriamente nossas propriedades e de tentar nos fazer crer que o faz em benefício de todos. Reparem que não estou afirmando que todos os que trabalham para o estado são ladrões, porque é claro que há muita gente honesta entre os funcionários ditos públicos – aliás, a maioria, diria. O que estou afirmando, em outras palavras, é que os honestos que trabalham para esse monstro, mesmo aqueles concursados e de carreira, estão, no fundo, trabalhando para um ladrão.

Tal é o caso da funcionária da ECT que me atendeu hoje de manhã, quando fui buscar uma encomenda que um de meus filhos (que morou e trabalhou na Suíça por quatro anos e voltou para o Rio de Janeiro em novembro do ano passado), fez a um médico de Israel, de um produto bastante eficaz para impedir falhas no couro cabeludo, causadas por stress, inventado por esse médico e legalmente vendido por ele, após as devidas consultas para diagnosticar cada caso. Pois bem, o preço pago por meu filho foi de 890 reais, à vista, no início de novembro, para ser enviado por correio. Há poucos dias, ou seja, quatro meses depois, chegou à minha casa um aviso para que ele ou alguém de sua confiança fosse à agência da estatal ECT buscar a encomenda, com aquelas exigências características de nossa burocracia: assinatura, RGs dele e meu, etc. (Como ele ainda não tem residência fixa no Rio, deu o meu endereço e como seu trabalho fica distante de onde moro, pediu-me para ir buscar a coisa).

Bom, voltando à funcionária da ECT que me atendeu, ela me explicou que eu teria que pagar em dinheiro 534 reais a título de tributação, ou seja, 60% do preço do produto. E, já que eu não tinha esse valor no bolso, disse a ela que iria à agência bancária em frente fazer o saque (um pai faz qualquer sacrifício para preservar a bonita cabeleira de um filho)... Ela foi cortês - aliás, pensando bem, não fez mais que sua obrigação, mas é que existe uma grande quantidade de funcionários públicos grosseiros - e me disse que quando voltasse poderia ir diretamente a ela, sem necessidade de aguardar na fila.

ectPaguei, peguei a caixa de papelão e vim pela rua pronunciando todos os palavrões que aprendi, desde os nacionais, passando pelos calabreses, napolitanos, sicilianos, ingleses e portugueses, dos mais cabeludos, até porque eu sabia que dentro da caixa havia um remédio que me garantia a eficácia de “nomes feios” cabeludos... Depois, postei a foto da caixa no facebook, que vocês podem ver à direita. E me pus a pensar que, caso um pai não possa dispor dos 435 reais para entregar ao assaltante oficial, seu filho muito provavelmente poderá ficar careca...

Como se não bastassem os quatro meses para receber uma simples encomenda, ainda tive que pagar 60% de imposto aos quadrilheiros! Isto não é revoltante? Por coincidência, acaba de entrar um e-mail desse meu filho, dizendo: “Pai, faltou você dizer no facebook que na Suíça eu não pagava nada e a mercadoria chegava em 5 dias, e não em 4 meses”.

Tinha razão Rothbard quando tratava o estado como “agressor” e dizia que há três categorias de agressão: (a) autista, quando a coerção do estado consiste em uma simples transferência, sem envolver trocas, como, por exemplo, quando ele censura uma peça teatral ou a liberdade de expressão; (b) binária, quando o agressor força os indivíduos a trocarem algo com ele, como no caso da tributação; e (c) triangular, quando o ladroaço impõe trocas involuntárias a terceiros, como no caso dos controles de preços.

Gente, que bom será quando todos se convencerem de que o estado é nosso inimigo. E, como gostava de dizer meu saudoso professor Og Francisco Leme, um inimigo perigoso, porque anda armado...