O QUE NÓS, CATÓLICOS, DEVEMOS ESPERAR DE UM PAPA

14/03/2013

fumoOntem, assim que o mundo ouviu o imponente Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam, começaram com rapidez impressionante, na TV, na Internet e em todos os meios midiáticos, tentativas de denegrir a imagem daquele que o conclave elegeu. Prefiro nem comentá-las, exatamente por conhecer suas causas e seus propósitos nefandos. Quero apenas escrever em poucas linhas o que nós, católicos, devemos esperar não apenas do novo Papa Francisco, mas de todo e qualquer herdeiro do trono de Pedro, a quem Jesus entregou simbolicamente as chaves de seu Reino e assegurou que as portas do inferno e do mal jamais prevaleceriam contra aquela Igreja que Ele fundou naquele momento.

 

Em primeiro lugar, os católicos sabem que a Igreja é santa (porque seu Fundador foi o Filho de Deus), mas é formada por homens, com as qualidades e os defeitos naturais dos seres humanos. Se alguns papas, como a História relata, erraram ao longo da história de 2.000 anos da Igreja, não nos cabe atirar-lhes a primeira, nem a segunda e nem qualquer outra pedra, porque acreditamos que já tenham ajustado seus débitos com o Criador.

Em segundo lugar, quero veementemente repudiar essa pretensa divisão entre Igreja “progressista” e Igreja “conservadora”, porque existe uma só Igreja, uma, santa, católica (a palavra “católica” significa universal) e apostólica (porque alicerçada em sua origem pelos doze apóstolos). Esse expediente – que é o mesmo utilizado para classificar os economistas e, em geral, qualquer pessoa, é apenas mais um dos múltiplos disfarces que os socialistas e comunistas usam para defender suas ideias, ideias que certamente contrariam o terceiro dos mistérios luminosos do rosário, em que meditamos sobre a proclamação do Reino de Deus [por Jesus] e o convite à conversão. A mensagem de Cristo conclamando todos à conversão foi clara – claríssima! - e é eterna, “eterníssima”! Portanto, o que Ele nos ensinou ser errado, ser um pecado, foi e continuará sendo sempre errado e pecado! É claro que o mundo mudou, mas a doutrina reta do Senhor, que a Igreja dele herdou, é imutável: um adultério cometido, por exemplo, no século IX dentro de uma carruagem é o mesmo, nesse sentido, do que um adultério praticado hoje em dia em um motel; uma blasfêmia dita em praça pública, digamos, no século XV, também não deixa de ser um ultraje a Deus quando anunciada na Internet, ou na TV, ou em um jornal ou revista; um roubo praticado por um príncipe no século XVIII é também um roubo quando praticado por um presidente de qualquer república e assim por diante.

francTerceiro, e como consequência disso, podemos com toda a certeza afirmar que os ditos “progressistas” defendem que a Igreja, que é santa, se adapte aos homens (ou à “modernidade”, como gostam de dizer), que são imperfeitos. Mas não é a Igreja que deve se “modernizar”,  adaptando-se aos homens, é exatamente o oposto: são os homens – manchados pela mácula do pecado original – que se devem adequar aos ensinamentos de seu Redentor, que derramou até a última gota de seu preciosíssimo sangue para redimi-los!

Por tudo isso – além de outros argumentos que deixo de mencionar para não me alongar em demasia – um católico jamais deve esperar que um Papa, ou seus cardeais, bispos e padres defendam coisas como o uso de preservativos, a cultura da morte representada pelo aborto, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, a prostituição, a liberalização das drogas e a pedofilia! Duvido que mesmo um Papa que fosse festejado pela mídia como “progressista” viesse em algum dia defender esses comportamentos, porque, ao fazê-lo, estaria desrespeitando os ensinamentos de Jesus, palavras que jurou um dia defender a até dar a sua própria vida por elas. E estaria descaracterizando totalmente a Igreja, transformando-a em uma ONG dessas que existem às centenas.

Gostaria de escrever algo sobre qual deve ser a atitude de um economista católico, mas estou certo de que o brilhante Tom Woods, também católico, em artigo publicado hoje na página do Instituto Mises Brasil, o fez de maneira magistral (clique aqui para ler).

Encerrando, então, o que os católicos devem esperar de um Papa? Simplesmente, que conduza com firmeza - exigindo comportamento irrepreensível de todos os seus membros - e serenidade - mostrando o valor da caridade - a Igreja e a faça seguir retamente os ensinamentos de seu Fundador e que se esforcem para adequar suas vidas a esses mandamentos, buscando a santidade dentro do mundo, um mundo conturbado e que vem se afastando das coisas de Deus a pretexto de uma “modernidade” fugaz e desordenada. E essa busca é urgente na atualidade, porque o mundo está se tornando cada vez mais alheio àquilo que realmente importa: o fato de que apenas a pessoa humana é dotada de dignidade e de transcendência.

Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!” (Anuncio-vos com grande alegria: temos Papa)! Vida longa para o Papa Francisco! Que sua fé, humildade e simplicidade se espalhem pelo mundo - e não apenas pela América Latina - e seu apostolado seja bastante profícuo!