DESILUSÃO E ESPERANÇA

14/05/2013

FotoQuero confessar que estou absolutamente desiludido com os rumos do Brasil – vale dizer, dos brasileiros, já que o “Brasil”, na Primeira Realidade de que nos fala o filósofo Eric Voegelin, não existe, é no máximo uma metáfora geográfica, política, econômica e social. Dizendo de modo mais direto: o “Brasil” que se dane, estou desiludido é com o futuro dos brasileiros e não apenas os desta geração, mas das futuras!

Não aguento mais sequer ouvir falar dos rumos de nossa política, tamanha a degradação moral de nossos ditos “homens públicos”. A gota que faltava para transbordar o copo foi aquela foto em que Guilherme Afif Domingos, tido por muitos como nossa única alternativa liberal, beija subservientemente a mão da presidente. Sem comentários!

Não suporto mais assistir aos jornais na TV, que mais se parecem com aquele famoso programa radiofônico antigo da Rádio Tupi, o “Patrulha da Cidade”, um desfilar de crimes que se sucedem sem que as autoridades movam um dedo para atacar as raízes do problema, que não têm nada a ver com riqueza, pobreza ou “má distribuição de renda”, mas estão na redução da maioridade penal e na mudança do Código Penal.

 

Não tolero mais ouvir falar em “homofobia”, “homoafetividade”, “direitos das minorias”, “preconceitos”, “multiculturalismo”, “feminismo”, “santuário ecológico” e outras baboseiras à la Gramsci, males que a mídia repercute na cara de todos, exatamente para fazer a cabeça da boiada que se deixa guiar pelo som do berrante.

E não aturo mais a ignorância daqueles que tomam conta de nossa economia, primeiro porque acho que os mercados não precisam de babás e segundo porque as babás deste governo são absolutamente incompetentes – e, pior, arrogantes em sua incompetência.

Não contemporizo mais com as ideias dos ditos intelectuais, a começar por alguns colegas de universidade, que insistem em propor mais cadeiras de keynesianismo e de políticas industriais, entre outras.

Em suma, cansei do Brasil. Por isso decidi, pelo menos por uns tempos, parar de escrever sobre as coisas que vêm acontecendo aqui. Meus artigos no Blog vão escassear, porque vou dedicar meu tempo a coisas que merecem minha atenção, como Deus, a família, o piano, os livros, as plantas e outras.

Quem me conhece pessoalmente sabe não sou e nunca fui um pessimista, mas paciência tem limites. Por que me torturar acompanhando fatos que me causam ora asco, ora raiva, ora revolta? E, como dizem que pessimistas nada mais são do que otimistas bem informados, ainda acho que sou um otimista.

Por isso, minhas palavras finais são de esperança, não no “Brasil” de hoje, mas no trabalho que estamos – com uma equipe fabulosa – desenvolvendo no Instituto Mises Brasil. Lá estamos semeando ideias, regando-as com boa teoria e tentando disseminá-las para o maior número possível de pessoas. Os resultados têm sido ótimos até aqui e tenho a certeza de que, continuando a trabalhar com seriedade e sem buscar resultados imediatos, os frutos virão e serão generosos. É uma obrigação moral que temos que assumir perante nossos netos!