HIPÓCRATES E OS HIPÓCRITAS

24/06/2013

hip1Quem já foi a alguma solenidade de formatura de uma turma de Medicina sabe que os formandos fazem o Juramento de Hipócrates (460 AC-370 AC e considerado o pai da Medicina), uma declaração solene em que os novos médicos se comprometem a exercer sua bela profissão com ética e dedicação. O texto desse juramento pode ser lido aqui, tanto em seu formato original quanto no atualizado pela Declaração de Genebra, de 1948. A versão mais conhecida no Brasil é a seguinte:

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário”.

É um momento de emoção - e não apenas para os formandos, mas também para quem ouve a turma em coro repetir cada uma de suas palavras. A Medicina, entre todas as profissões, é, em minha opinião, a mais bela (embora eu sempre corra o risco de desmaiar sempre que vejo um pouco de sangue, ou, talvez, até mesmo por isso a veja assim), porque não pode existir algo mais nobre do que se empenhar em cuidar e salvar vidas humanas.

 

Sabemos as condições em que nossos médicos da chamada “saúde pública” (algo que para mim não existe, pois o que existe é saúde de indivíduos) são submetidos, tanto nas grandes cidades como no interior. Existem hoje no Brasil cerca de 350.000 médicos (1 para cada 543 habitantes), coeficiente que excede em 84,2 % o aconselhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda 1 médico para cada 1000 habitantes. E, atualmente, o Brasil forma 16,5 mil médicos por ano em 183 escolas, sendo que destas 79 são públicas (48 federais, 24 estaduais e 7 municipais) e 104 são privadas. Portanto, o nosso problema não é de falta de médicos!

A ideia de que faltam médicos no interior também é falaciosa, porque o que escasseia são condições mínimas para que os profissionais possam exercer suas atividades com os recursos da moderna Medicina e com remuneração proporcional à responsabilidade de zelar por vidas e de salvá-las que lhes cai sobre o ombro, inclusive com o risco de ações judiciais.

Em pronunciamento à nação, feito na noite da última sexta-feira, a respeito da onda de protestos que vem varrendo o país de norte a sul e de leste a oeste, a Presidente, entre uma e outra mentira e entre um e outro simulacro da verdade, anunciou que, para resolver o vergonhoso, calamitoso e vexaminoso (para ficarmos apenas nesses três adjetivos que rimam entre si) seu governo vai “importar” milhares de médicos do exterior (ela foi prudente em não dizer, naquele momento, que se trata de cubanos). Mas a verdade é que se pensa em trazer 6.000 médicos da ilha dos Castro para trabalharem no interior do país.

A esquerda tem insistido em que isso seria uma solução e enfatizado o “avanço” da Medicina cubana.

Duas mentiras deslavadas, desbotadas e descaradas! A primeira, porque, como escrevi acima, temos médicos suficientes e a segunda porque a verdade é que a Medicina em Cuba é uma das mais atrasadas do mundo, conforme você pode constatar lendo este artigo de Humberto Fontova, publicado na página do Instituto Mises Brasil em 12 de agosto de 2009. Nele, o autor mostra a realidade da saúde naquela ilha subjugada pelo comunismo há mais de meio século, apresentando fotos realmente chocantes.

Recomendo também fortemente a leitura do excelente artigo “Contratação dos médicos cubanos: o que há por trás disso?”, de Graça Salgueiro, postado em seu excelente blog www.notalatina.blogspot.com.br. Neste segundo artigo, postado em 12 de maio deste ano e ilustrado com três vídeos, Graça desmascara a farsa da contratação dos 6.000 médicos maravilhosos de Cuba e aponta que o real objetivo da “importação de sumidades” é, simplesmente, o de promover a “venezualização” do Brasil a partir do interior, tal como fez o governo chavista.

No final de sua postagem ela declara enfaticamente:

 

“Depois de juntar e analisar todos esses dados, me parece que algumas coisas ficam claras. A vinda desses médicos cubanos ao Brasil serve a alguns fins: fazer doutrinação marxista e enaltecer a revolução cubana e, de passagem, enaltecer o governo brasileiro angariando votos para as eleições de 2014. Como a “eleição” de Maduro está ameaçada, pois a oposição desta vez não aceitou calada a monumental fraude, os Castro querem se assegurar de que se perderem essa “boca” terão outra na reserva, afinal, esses 6.000 médicos cubanos vão custar aos cofres públicos, isto é, o nosso bolso, a bagatela de U$ 792 milhões. Se considerarmos o dólar a R$ 2,00, o custo aproximado será de UM BILHÃO, QUINHENTOS E OITENTA E QUATRO MILHÕES DE REAIS, que poderiam construir ambulatórios e hospitais nos locais menos assistidos, pois os médicos brasileiros não querem ir para os rincões mais distantes por FALTA DE CONDIÇÕES DE TRABALHO! [Nota minha: como o artigo foi escrito no início de maio e hoje o dólar está na casa dos 2,30 reais, a bagatela atualmente está em R$ 1.821.600.000,00, com tendência a subir e mesmo tendo Maduro, sabe-se lá como, “ganhado” as eleições isso não impede os Castro de buscarem outra “boca”, bem maior, no Brasil]

E para terminar, os questionamentos que me inquietam são: “quem” vai espionar esses médicos no Brasil? Já temos espiões instalados aqui de maneira encoberta e a sociedade que vai pagar esta farra não sabe? Onde vão ficar os “censores”, em um comando central na Embaixada em Brasília ou cada cidade vai ter seu corpo pessoal de espiões? Mais do que saber se esses médicos vêm tratar diarreia, catapora ou pressão alta, é preciso saber dessas questões político-ideológicas e de espionagem, pois se não cuidarmos, não tarda em acontecer o mesmo que na Venezuela que já é uma colônia de Cuba. Se você ama o Brasil, pense nisso”.

 

hip2De minha parte, manifesto total concordância com os autores dos dois artigos e corroboro minha amiga Graça Salgueiro, uma incansável defensora da liberdade individual, aduzindo que, assim como o focinho de um porco não pode ser confundido com uma tomada, nem um alho com um bugalho, nem um baralho com um espantalho (ou com aquilo que você talvez tenha pensado), Hipócrates não pode ser deturpado perfidamente e empurrado goela abaixo dos brasileiros para ser confundido com o que a Presidente mostrou claramente: hipocrisia!

Presidente, será que a senhora ainda não percebeu que o povo brasileiro está demonstrando, como nunca talvez em nossa História, que está farto da hipocrisia dos políticos e que sua paciência chegou ao limite?

O mínimo que devemos esperar dos conselhos estaduais e federais de Medicina  é mostrar que seus membros sabem honrar o belo juramento que fizeram em um dia de festa para eles e suas famílias, repudiando com veemência, a exemplo dos muitos milhares que estão indo às ruas protestar pacífica mas energicamente, a hipocrisia daqueles que estão no poder.