DOIS-PRA-LÁ, DOIS-PRA-CÁ

13/07/2013

doisFrancamente, um banco central que estabelece metas – quaisquer que sejam - para a inflação já é para se desconfiar; um banco central que fixa a meta de inflação anual em 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo é para se desconfiar mais ainda; agora, um banco central que, além disso, deixa sucessivamente a inflação estourar seu limite superior é para se desacreditar completamente. Esse é o nosso banco central, minha gente.

A boa teoria econômica – a da Escola Austríaca de Economia – ensina à fartura (especialmente alguns escritos de Hayek e Mises) que, assim como quem come em demasia terá indigestão, o desemprego é o resultado da inflação, ou seja, da expansão artificial da moeda e do crédito. Mas os economistas da mainstream economics acreditam na fábula da Curva de Phillips, segundo a qual existiria um conundrum - algo escatológico, talvez - entre inflação e desemprego, ou seja, quanto mais daquela, menos desse e vice-versa. A diferença é que os keynesianos enxergam esse dilema como sendo permanente, enquanto os monetaristas e novos clássicos como sendo temporário, durando até que as expectativas de preços se ajustem à realidade (o que, para os últimos, se dá imediatamente).

 

Mas a verdade é que não existe esse trade off! Governos que inflacionam hoje estão automaticamente causando desemprego amanhã! Para compreender isso, basta conhecer a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos e, especialmente, saber que existe algo chamado estrutura de capital na economia.

Não quero me alongar, já escrevi sobre isso em dois ou três livros e em dezenas de artigos. Só quero frisar a enorme incompetência de nosso banco central e de nossas autoridades econômicas, que mais parecem estar dançando um bolero daqueles dois-pra-lá-dois-pra-cá. Havia necessidade, há dois anos, de eleger a candidata do PT? Ótimo, então crédito para todos, juros artificialmente baixos, estímulos para a linha branca, amarela, azul... Mesmo que a inflação estourasse o teto, como de fato ocorreu, porque o importante era manter o desemprego baixo para que as urnas respondessem com um sim. Agora, depois de tantos avisos sem resposta, parecem ter percebido que a inflação é um problema e o que fazem? Ora, aumentam a Selic e, se quiserem manter a inflação dentro dos limites da meta, mesmo sendo estes tão largos, terão que aumentá-la ainda mais. Aí, algum gênio dirá que o aumento no desemprego inviabilizará a reeleição da senhora que nos governa e aí... Preparemo-nos para novas rodadas de quedas na Selic. Sinceramente, isso cansa!

Nossa economia está andando de lado, sem sair do lugar. E assim vai continuar. A má teoria econômica agradece. E a boa, para não esbravejar à toa, sorri.