POPULISMO DEMAGÓGICO, UMA REDUNDÂNCIA

08/08/2013

omn“El populismo ama tanto a los pobres que los multiplica”.

Quando Mariano Grondona, jornalista, sociólogo, escritor, ensaísta e professor argentino, nascido em 1932, escreveu essa frase estava dizendo uma verdade de clareza impressionante! A América Latina tem sido um vasto e fértil território propício a essa perversa prática política: entre muitos, cito Vargas, Perón, Cárdenas, Adhemar, Juscelino, Jânio, Jango, Brizola, Maluf, Garotinho, Cabral, Lula, Menem, Fujimori, o casal Kirchner, Mujica, Chávez, Maduro, Correa, Morales, Humalla... A lista é interminável e, se acrescentarmos, em nível mundial, o populismo sanguinário de figuras como Lenin, Stalin, Hitler, Castro, Pol Pot e outros do mesmo (baixo) nível, ela tenderá para o infinito.

 

O populismo anda em moda no Brasil, ou melhor, continua em moda. Sua última manifestação é esta história do “passe livre” e de certos grupos privilegiados pagarem “meia-entrada” em cinemas, teatros e outros espetáculos culturais. Esses grupos podem ser de idosos ou de jovens. Já pensaram se essa prática se estendesse aos demais preços? A primeira coisa que eu faria seria sempre pedir a uma de minhas netas, que têm entre 4 e 6 anos, ou a meu sogro, que está com 102, ir todos os dias à padaria para que eu economizasse a metade...

 “Meia-entrada" – escrevi isto em postagem recente aqui no Facebook - significa uma aberração econômica, ou seja, um "meio-preço". Para haver justiça, ao entregar sua “meia- entrada” para um show de música, o sujeito só deveria ter direito a assistir à metade do espetáculo! Ou então, se, ao chegar, à entrada o bilheteiro decepasse seu corpo em duas partes iguais e só permitisse que uma delas entrasse, mantendo a outra em um cabideiro e somente a devolvendo no final do espetáculo...

Essa mania de fazer "caridade", esse populismo estúpido, é revoltante. É uma doença política altamente contagiosa. É como o nacionalismo, que Einstein certa vez disse ser uma doença infantil, o sarampo da humanidade.

Mas o “meio-ingresso” é apenas uma das manifestações dessa endemia latino-americana e, em nosso caso, brasileira. Há outras, tão absurdas quanto o fato de alguém, por ter idade de mais ou de menos, pagar a metade de um preço de mercado. São meros ataques a efeitos, sem que esses políticos sequer cogitem atacar as causas, para não perderem o seu “público” nas eleições. Vale-transporte e vale-refeição são dois desses exemplos de amor aos pobres.

Ora, bananas, a oferta desse tipo de “caridade” com o chapéu alheio por parte dos políticos só existe porque a pobreza é grande, porque as pessoas ganham pouco. E só existe demanda pelo mesmo motivo, embora mesmo uma pessoa rica, a ter que pagar R$ 60,00 por um show, preferirá, pelo princípio da ação humana, pagar R$ 30,00, embora possa pagar tranquilamente os R$ 60,00.

Não existe efeito sem causa! A expressão sublata causa tollitur effectus significa que, suprimida a causa, o efeito é eliminado. Mas de que interessa atacar a causa, se isso não vai render votos no futuro e, até pelo contrário, vai fazer os populistas terem que trabalhar de verdade para não morrerem de fome?

Em sociedades com nível pífio de capital humano como a do Brasil e as da maioria dos países latino-americanos, é evidente que a produtividade do trabalho é baixa, o que significa que os salários reais também são menores do que deveriam ser caso o estoque de capital humano fosse alto. É evidente que o ataque real às causas, neste caso, seria investir em capital humano, porque isso elevaria a produtividade e, consequentemente, os salários. Mas a prática do populismo recomenda que é melhor, mais prático e, sobretudo, rende muitos votos a mais fazer “bondades”, como o” vale-transporte”, o “vale-refeição”, o “meio-ingresso”, o “passe livre” e outras agressões à economia de mercado.

Além de tudo isso, e para finalizar, um ensinamento básico, do qual não podemos nos esquecer: assim como não existe almoço grátis, também não existe “meia-entrada”, simplesmente porque alguém – o pagador de tributos, naturalmente – vai ser chamado a pagar compulsoriamente a outra metade.