MERCOSUL, UM CARANGUEJO IDEOLÓGICO

26/08/2013

carNossa capacidade de caminhar para trás é de causar inveja ao mais ligeiro dos caranguejos! O Brasil parece ter nascido com a vocação do atraso e com o vício do talento desperdiçado. Um exemplo dessa preferência pelo subdesenvolvimento é nossa pseudo liderança no Mercosul, uma instituição falida e carcomida por toda a sorte de “ismos”: socialismo, patrimonialismo, coronelismo, populismo, bolivarianismo, chavismo, lulismo, kirchnerismo, mujicanismo... O Mercosul transformou-se – graças à “brilhante” atuação ideológica do Itamaraty, em um feudo do que sempre existiu de pior na América Latina. Está condenado ao fracasso. Aliás, já não funciona na prática há bastante tempo. O golpe fatal foi desfechado quando seus integrantes, primeiro, aceitaram a ditadura venezuelana como membro e, segundo, quando expulsaram do acordo o Paraguai, simplesmente porque o país vizinho depôs constitucionalmente um presidente corrupto, um ex-bispo cheio de filhos (com diversas mulheres), mas que, de acordo com a idiotice reinante na atual diplomacia brasileira, possuía uma qualidade que o eximia de qualquer erro: ser de esquerda!

 

Enquanto isso, a Aliança do Pacífico, formada por Chile, Colômbia, Peru e México e, em breve, formalmente, o Paraguai, vai indo bem, obrigado, e aprofundando paulatinamente a integração financeira, tributária e comercial, em sucessivos acordos que buscam soluções concretas e com a criação do MILA (Mercado Integrado Latino-americano), que congrega as bolsas de valores de Chile, Colômbia e Peru e que até o final desde ano incorporará a do México. Segundo o site www.biobiochile.cl, este mercado também irá incorporar novos instrumentos, como a adequação dos regulamentos dos membros da Aliança para que, quando uma empresa de qualquer desses países fizer uma emissão pública de ações, possa usar a plataforma MILA e vai utilizar instrumentos de renda fixa e cotas de fundos de investimento. Da mesma forma, vão aumentar o intercâmbio de informações financeiras para evitar a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo entre os países membros.

A Aliança do Pacífico foi fundada em junho de 2012 e reúne cerca de 209 milhões de pessoas e 35% do PIB da América Latina. Portanto, não é de se desprezar, como os responsáveis por nossa política externa, os "barbudinhos do Itamaraty", como os denominava Roberto Campos, vêm entendendo.

Entre seus objetivos estão o de proporcionar o livre fluxo de bens, investimentos e pessoas e a busca conjunta de mercados, principalmente na zona asiática do Pacífico. No campo fiscal, dentro de seis meses um acordo multilateral permitirá que esse intercâmbio seja automático e haverá um tratamento fiscal mais consistente para melhorar o investimento entre os países do bloco. Decidiram acelerar a integração do comércio exterior único em busca de uma capacidade operacional comum e até o final do ano pretendem implantar um regime de tarifa zero para mais de 90% do intercâmbio comercial! No momento, cerca de 20 países são observadores e poderão aderir ao bloco a qualquer momento.

A Aliança do Pacífico enfrentou a desaceleração da economia chinesa, que afetou as exportações de matérias primas, e a crise financeira dos Estados Unidos com cooperação e tendo em vista objetivos comuns. Enquanto isso, o Mercosul enfrentou esses mesmos problemas com políticas de estímulos à demanda, aumentos nos déficits fiscais, aumentos internos de tributos, elevações de tarifas sobre importações e verdadeiras  guerras de tarifas entre seus membros, como a do Brasil com a Argentina.

A vida é assim mesmo: enquanto uns caminham em frente, outros preferem andar para trás. É a política do caranguejo ideológico. O Mercosul tem a cara da maioria dos presidentes dos países que o compõem: é caricato. A probabilidade de que venha a dar certo e de que possa efetivamente melhorar a vida os consumidores e empreendedores dos países membros é zero!