Ó PÁTRIA AMADA, MALTRATADA, SALVE, SALVE!

07/09/2013

brEnsina-nos a História que Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal, no dia de hoje, às margens plácidas do riacho Ipiranga, em São Paulo, cansado das exigências de seus compatriotas e aconselhado alguns anos antes por seu paizão João, resolveu declarar o Brasil independente do pai Portugal, puxando do fundo da garganta um brado tão retumbante que deve lhe ter causado rouquidão. Tudo aconteceu pacificamente, sem guerras, sem derramamento de sangue, a não ser por um ou outro incidente aqui e ali, mas sem maior importância, quando comparados com as guerras de independência de muitos países. O 7 de setembro passou a ser o Dia da Independência. Tudo bem, havíamos mesmo de conquistá-la, até porque já nos havíamos tornado um fardo pesado demais para nossos irmãos portugueses carregarem, já que Portugal e Espanha não possuíam mais a riqueza e o poder que alcançaram na época dos descobrimentos. Nossa "guerra da independência" foi tão singular que nosso proclamador regressou anos depois à sua terrinha, que também é nossa, pelos laços profundos que nos unem, para ser coroado Dom Pedro IV.

 

Mas o que significa para um país ser “independente”? Para mim, não é que não existam países, até os há. Porém, países nada mais são do que indivíduos com semelhanças culturais e históricas vivendo dentro de algumas fronteiras. O que realmente importa, o que interessa, o que é essencial e digno de apreço é se os indivíduos de um país são “independentes” para fazerem suas escolhas. E nós, brasileiros, não gozamos dessa liberdade, pois somos semiescravos do Estado, sem que sequer o percebamos!

Cuba é um país “independente” - ou soberano, como se prefere dizer hoje -, a Venezuela, a Bolívia idem, bem como a antiga URSS também era. Mas os cidadãos desses países são proibidos de fazer escolhas, porque neles essa tarefa cabe exclusivamente ao Estado opressor. Na China, o governo impõe até aos casais que só podem ter um filho, o que é uma coisa inadmissível moralmente.

O dia de hoje está sendo marcado por protestos, infelizmente sem objetivos claros e sem alvejarem o essencial, que é a independência ou soberania dos indivíduos. Só teremos “melhor educação”, “melhor saúde”, “melhor infraestrutura”, “menos corrupção” e outros pleitos atendidos quando nos livrarmos do pior, que é a servidão que o Estado impõe aos cidadãos brasileiros e a todos os que aqui vivem, sem que eles percebam que, no fundo, são escravos dos que vivem em Brasília e nos palácios das capitais dos estados.

Desde o advento da república os governos que se sucederam, com raríssimas exceções - entre elas, especialmente, os períodos de Campos Salles e de Castello Branco - nada mais têm feito do que maltratar os brasileiros, quase sempre jogando para a plateia, mas deixando de atacar problemas estruturais seculares que ainda hoje nos atormentam. O brasileiro, esse pobre pagador passivo de tributos, é dependente do Estado praticamente para tudo, incluindo as necessidades básicas.

Dizem que somos um país “rico” por causa dos recursos naturais. Bobagem! De que adiantam fósseis geológicos se não são devidamente explorados? Somos um país com enorme potencial, mas pobres, essencialmente pobres, franciscanamente pobres, mas não por opção como foi o caso do poverello de Assis, mas por burrice, por consentimento, por subserviência, por covardia perante nosso maior inimigo, o Estado. O “Brasil” festeja hoje sua independência, mas os brasileiros ainda não podem festejar a sua. Ó pátria amada, tão amada quanto maltratados são seus filhos!