POR QUE O FLUMINENSE INCOMODA TANTO?

27/12/2013

tricÉ impressionante como dois erros crassos, infantis, banais e triviais, cometidos pelas diretorias da Associação Portuguesa de Desportos e do Clube de Regatas do Flamengo, colocando em campo jogadores que estavam impedidos de atuar naquela rodada, causaram tanta comoção. Como disse hoje Mário Bittencourt, o brilhante advogado do Tricolor carioca, “nada é mais cansativo do que defender o óbvio”. E, já que estamos falando do Fluminense, cabe lembrar Nelson Rodrigues e acrescentar que o “óbvio ululante”, nesse imbróglio todo, foi que o eventual beneficiado é o clube tantas vezes campeão. Fosse qualquer outro o favorecido - qualquer outro, vejam bem, desde o Arranca-Toco Futebol Clube até o Barcelona! -, duvido que muitos jornalistas parciais, alguns movidos por suas paixões clubísticas, outros por regionalismo tão infantil quanto demodée  e outros por razões bem menos nobres, destilassem seu ódio ao Tricolor da maneira como o fizeram.

 

Na TV, cansamos de ver esses maus profissionais, com olhos rútilos de raiva e deixando escorrer de suas bocas – sempre lembrando Nelson – aquela baba bovina e elástica da parcialidade irracional alimentada por seu fanatismo, regurgitando seu ódio psicopático ao Tricolor das Laranjeiras; nos jornais (cancelei a assinatura do que recebia em casa), não se podia obviamente ver o ódio estampado em suas faces, mas se podia perfeitamente encontrá-lo nas linhas emporcalhadas por sua dependência – que é o maior pecado que um jornalista pode cometer! -, colocando a opinião pública contra o Fluminense, instigando torcedores de outros clubes (sempre movidos por suas paixões, o que é até compreensível) contra os nossos e, absurdo dos absurdos, um desses péssimos profissionais, do alto de sua arrogância característica dos beócios, patetas, tolos e lorpas, escreveu em sua coluna que “nenhum clube deveria enfrentar o Fluminense em 2014, caso o Tricolor fosse mantido na série A”... Além de tudo, o sujeito é burro, pois, se todos agissem assim, o Fluminense venceria todos os seus jogos por WO e seria proclamado campeão, em um “campeonato do faz-de-conta”. Outro, de São Paulo, mas não menos digno de ser contemplado com os adjetivos que atribuí a seu colega carioca, chegou a inventar uma escapatória para a lusa, que seria o Estatuto do Torcedor...

Pessoas desse calibre moral deveriam ser expurgadas da mídia, porque são inconsequentes e o mal que podem causar escapa a qualquer prognóstico. Não foi à toa que vimos relatos de pessoas usando camisas do clube que foram hostilizadas nas ruas, inclusive uma menina de três anos que estava no colo do pai. O fato, meus amigos, é que nos últimos dias encontrei alguns Tricolores que, influenciados pelo verdadeiro linchamento público do Fluminense por parte da imensa maioria da mídia, choravam lágrimas de esguicho e, entre um e outro soluço, davam a entender que se sentiam verdadeiros vira-latas em uma rua sem lixeiras, ou seja, zeros à esquerda. E minha resposta era: levanta a cabeça, cara! Você não tem do que se envergonhar!

Jornalistas irresponsáveis! Formadores de opinião levianos! Vergonhas de sua profissão!

Toda essa perseguição à imagem do clube mais tradicional do Brasil e à sua imensa torcida a troco de que? Primeiro, à inveja que o Fluminense sempre despertou, desde os anos 10 do século passado; e segundo, a um pretenso “histórico de tapetadas” por parte do Tricolor.

Todas – sim, todas! – mentirosas. Basta pesquisar alguns minutos no Google e ver, por exemplo, aqui (1997),  aqui (1999) e aqui (2000) para certificar-se de que esse tal “histórico de tapetão” nunca envolveu atitudes tomadas por diretores do Fluminense para virar qualquer mesa, cadeira, sofá ou outro objeto. Nos anos em que o clube caiu de fato e de direito, disputou a segunda (1998) e a terceira (1999) divisões, sem apelar para qualquer recurso, porque sempre respeitou as regras. Esta é e sempre foi a nossa característica, a marca das três cores que traduzem tradição e fidalguia. Isso sempre incomodou muitos de nossos rivais. E olhem que neste episódio mais recente quem fez as denúncias das irregularidades nem foi o clube que vence no sol das manhãs e na luz de um refletor, mas a CBF, cumprindo preceito regimental que a obriga a fazê-lo. O que está revirada, sim, de pernas para o ar e tristemente violada, é a ética de muitos pseudo jornalistas e diretores de outros clubes que parecem sentir um prazer mórbido em desqualificar, desmerecer e ofender o Fluminense.

Foram dois julgamentos no STJD, o primário e o Pleno, que se realizou hoje e em ambos os casos Portuguesa e Flamengo foram punidos por unanimidade com a perda de três pontos e mais os ganhos nos jogos em que cometeram as irregularidades.

Os maus jornalistas e os maus dirigentes, todos inimigos gratuitos do clube que sempre fascinou pela sua disciplina, com perdão da expressão, quebraram redondamente a cara! Regras existem para serem cumpridas e ponto final! O campeonato brasileiro não é um torneio de peladas de subúrbio, é uma competição oficial, que tem regras que precisam ser rigorosamente cumpridas. Dura lex sed lex! Chegava a ser patético ver – já nem vou falar de torcedores – diretores dos dois clubes infratores, bem como os jornalistas de meia tigela a que aludi, se postando como defensores da ética, dos fracos e dos oprimidos (no caso, a Lusa). Melhor seria que defendessem, como diz meu amigo Tricolor, o filósofo Alberto Oliva, “frascos” e  “comprimidos”...O  presidente de um deles chegou a declarar que jamais recorreria ao STJD para alterar o resultado de um jogo, manifestação que pode ser imediatamente desmentida clicando aqui. Atitudes de fariseus, de sepulcros caiados.

Em tempo, nada tenho contra qualquer clube rival e muito menos contra seus torcedores. Mas tenho contra mentirosos, caluniadores, incitadores de ódio e todo e qualquer profissional que não honre devidamente sua profissão.

Só que não posso deixar de registrar minha defesa ao que sei que é justo: o Fluminense nada teve a ver com todo esse imbróglio, não houve “tapetão” (haveria, sim, caso a lusa e o rubro-negro não tivessem sido punidos) e o tal “histórico de tapetadas” do Fluminense não resiste a cinco ou dez minutos de pesquisa no Google ou no Yahoo.

Sinto, sim, tristeza, como torcedor, pela péssima campanha que meu clube fez em 2013, mas não tenho por que sentir um pingo de vergonha pelo fato dele ter permanecido na primeira divisão porque dois adversários cometeram erros infantis. As diretorias desses clubes é que deveriam sentir desconforto.

Por que o Fluminense incomoda tanto? Porque é grande, imenso, muito maior do que a ira desses jornalistas que desinformam. E, quanto a cumprir ou não regras, eu diria para esses profissionais da mentira o que Nelson Rodrigues diria: "Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola". Se você assinar um contrato e não o cumprir, como os princípios éticos e morais qualificarão você?