08/08/2018

 

Muitas pessoas têm me perguntado sobre o candidato de minha preferência na eleição para presidente, ao que costumo responder que, até o momento, não tenho um, mas dois postulantes, Jair Bolsonaro e João Amoêdo - a dupla JJ. Posso afirmar com toda a certeza que, quando outubro vier, meu voto será para um deles. Para quem me conhece e sabe que desprezo pessoas que vivem se equilibrando em muros, os motivos são categóricos: um é a proximidade de ambos com muitas das ideias pelas quais venho me empenhando há anos, que se resumem na expressão uma sociedade de homens livres e virtuosa. E o outro é a certeza de que o grande perigo que paira como um agourento urubu sobre o nosso Brasil atende pelos nomes de esquerdismo e socialismo, uma ave de rapina perigosíssima, porque é especialista em pintar suas penas de outras cores para simular que não ameaça as liberdades individuais. Se me permitirem, vou tentar explicar-me resumidamente. 

Por uma questão de princípios, jamais me filiei ou filiarei a qualquer partido. Caso existisse – hipótese remotíssima – um “Partido da Escola Austríaca”, poderia, certamente, defender a maioria das ideias dessa associação fictícia, mas jamais abriria mão, não só como economista, professor, cientista social e escritor, mas, sobretudo, como homem que preza seus princípios, da independência para criticá-lo sempre que, a meu ver, julgasse apropriado. Não tenho nada contra e respeito vários colegas economistas filiados a partidos políticos com os quais se identificam, porém essa simples palavra – partido - é suficiente para me prevenir e deixar arredio, pois necessariamente pressupõe participação (ou, se o sujeito tiver brios, omissão) no jogo viciado da política, em que o sim de hoje pode transformar-se em sonoro não amanhã e em que o talvez, quase sempre, triunfa sobre o sim e o não. Posto isso, passo aos candidatos e ao porquê de minha “indecisão decidida” momentânea.   

Quem são os 13 candidatos e seus partidos, em ordem alfabética e com os respectivos companheiros de chapa? Álvaro Dias (Podemos), vice: Paulo Rabello de Castro (PSC); Paulo Daciolo (Patriota), vice: Suelene Nascimento (Patriota); Ciro Gomes (PDT), vice: Kátia Abreu (PDT); Fernando Haddad (PT), vice: Manuela D’Ávila (PCdoB); Geraldo Alckmin (PSDB), vice: Ana Amélia (PP); Guilherme Boulos (Psol), vice: Sônia Guajajara (Psol); Henrique Meirelles (MDB), vice: Germano Rigotto (MDB); Jair Bolsonaro (PSL), vice: Hamilton Mourão (PRTB); João Amoêdo (Novo), vice: Cristiano Lohbauer (Novo); João Goulart Filho (PPL), vice: Léo Alves (PPL); José Maria Eymael (DC), vice: Helvio Costa (DC);. Marina Silva (Rede), vice: Eduardo Jorge (PV); e Vera Lúcia (PSTU), vice: Hertz Dias (PSTU).

O que vemos nessa lista, além das habituais alianças, muitas delas, por sua excentricidade, mais se parecendo com trocas de gentilezas entre Leônidas e Xerxes, Seu Madruga e Dona Florinda, Batman e Coringa, Coiote e Papaléguas, todos em busca de minutos na TV e no rádio, no estapafúrdio horário eleitoral a que chamam de “gratuito” e que nos custa uma fortuna?

Em primeiro lugar, excluindo a dupla JJ, todos os outros candidatos se encaixam em um dos dois casos: (a) ou são de esquerda, uns abertamente, outros veladamente, com a diferença de que estes tomam banho e usam ternos, enquanto os primeiros se vestem exoticamente e aparentam sofrer de aquafobia; (b) ou então são daquela direita bem estatizante e retrógrada. Dentre os que posam de mauricinhos, enquadro o candidato tucano e o do Podemos e entre os que se fantasiam de operários - mas adoram cartões de crédito -, os habituais filhotes extemporâneos de Lenin e Mao, o arremedo de cangaceiro fanfarrão como ele só, a senhora que irrompe bisextamente da floresta, tingida de verde para esconder sua indisfarçável vermelhidão, nacionalistas xenófobos e, naturalmente, aquele do “partido da cortiça” - o MDB, que flutua eterna e desenvoltamente em qualquer líquido.

Não me limito ao exame das propostas econômicas de cada um, que obviamente são importantes e que devem ser razoáveis, mas que precisam fazer parte de um todo que seja o  mais harmonioso possível com o tipo de sociedade que sonho para o Brasil. Por isso, além da economia, estou olhando também para a importantíssima questão moral-cultural e, obviamente, para a pergunta de como rarefazer nosso sistema político viciado e podre.

Na economia, a dupla Bolsonaro e Amoêdo, em termos de compromisso com a economia de mercado, ganha de goleada, com Paulo Guedes e Gustavo Franco, respectivamente, à frente. No entanto, ainda sou reticente quanto à real disposição desses dois candidatos para privatizar vários monstros sagrados que pairam nefandamente sobre a economia. Quero ressaltar que reconheço qualidades em Eduardo Giannetti e André Lara Rezende (Marina), Persio Arida (Alckmin), José Márcio Camargo (Meirelles) e outros, ao mesmo tempo em que não os vejo como liberais, mas como keynesianos. Já as ideias econômicas de Marco Antonio Rocha (Boulos), Marcio Pochmann (PT), Mauro Benevides Filho e Mangabeira-Unger (Ciro), este último uma criatura que sempre me faz lembrar a Esfinge de Tebas, aquela que perguntava aos viajantes, ameaçando devora-los em caso de erro (decifra-me ou devoro-te): "Que criatura tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três à tarde?” O pensamento econômico desses quatro é muito mais para ser comentado por arqueólogos e paleontólogos do que por um economista. Não é nada pessoal contra essas pessoas, é apenas porque, ao que consta, estamos no século XXI...

Outro elemento importante na escolha do meu candidato diz respeito, como sugeri acima, ao que ele pensa fazer para libertar nossa sociedade da doença da escravidão cultural e da exaltação da imoralidade de que está manifestamente sofrendo, que é a verdadeira peste do politicamente correto, essa linguagem de bordel gramsciana que é habilmente disfarçada para parecer a mais pura e escorreita das poesias, mas cujo objetivo é implantar em doses homeopáticas o socialismo em todos os cantos do Ocidente. Preciso saber o que pensa meu candidato sobre temas como: combate ao crime, maioridade penal, endurecimento da lei de execução penal, tirania do MEC, doutrinação comunista em escolas, colégios e universidades, Banco Central, incentivos ao racismo e à disputa entre mulheres e homens, ideologia de gênero, homossexualismo, matrimônio gay, homeschooling, família, aborto, censura na internet, exposições em que crianças tocam em homens nus, pedofilia e muitas outras pautas relativistas, que a esquerda vem crescentemente nos impondo com muita competência para instaurar o caos e dele tirar proveito. Nesses aspectos e até o momento, especulo que Bolsonaro pense de maneira mais semelhante à minha do que Amoêdo e uso propositalmente o verbo especular porque até o momento não tive oportunidade de saber o que o candidato do Novo tem a dizer sobre o assunto.

Por fim, quanto ao que os dois pensam sobre reforma política, voto distrital, uma nova constituição liberal, como separar Estado e governo, parlamentarismo, restauração da Monarquia, etc., também aguardo suas manifestações, já que essas questões basilares, infelizmente, têm estado ausentes do debate político.

Para encerrar, quero registrar que ser liberal no Brasil sempre foi muito difícil, como professor e muito mais como eleitor, mas que, pela primeira vez em muitos anos, as coisas estão melhorando. Antes, votávamos em X mesmo a contragosto, só para impedir que Y vencesse. Hoje, pelo menos, temos dois candidatos capazes de nos levar à seção eleitoral com alguma satisfação, sendo que um deles tem chances de vencer e ainda tenho esperança de que o outro possa crescer (acredito que não tanto ao ponto de ser eleito), para preparar o terreno para 2022.

E você, também está entre os dois JJ? Espero sinceramente que sim. Chega de PT, PSDB e MDB. Chega dessa política velha e nojenta que vem deixando o Brasil de cama há décadas.