16/08/2018

 

Em nosso país, onde a burrice é portadora de um passado notável e de um futuro auspicioso, é corriqueira e quase unânime a aceitação axiomática de alguns falsos teoremas, frutos da maridança entre a ignorância econômica e a inveja. Aqui, qualquer mentecapto de quinta categoria pode ser alçado à categoria de gênio, especialmente se souber revestir sua estultice com ares de intelectualidade. 

Vou citar apenas três, dentre dezenas de outras demonstrações desse concubinato em que obscurantismo e despeito trocam juras de amor eterno: (1) Fulano é pobre porque Beltrano é rico; (2) O somatório das pobrezas é igual à riqueza; e (3) Sicrano é rico; logo, é ladrão; mas, se for pobre, é honesto.  Chamo esse conjunto fatal de trilogia do atraso. Nas cabeças repletas de vento que acreditam nesses enunciados, ser pobre é condição necessária e suficiente para ser considerado honesto e, naturalmente, a possibilidade de enriquecer somente é factível se o sujeito agir como ladrão. Menos – veja como são divertidos e fingidos! - para seu semideus preso em Curitiba e seus companheiros igualmente milionários... 

Exemplos recentes dessa incitação desbragada ao ódio pelo mérito alheio são as inúmeras críticas, principalmente por parte da mídia tradicional, ao elevado patrimônio declarado pelo candidato a presidente João Dionísio Amoêdo, bem como a tentativa de fazer soar como elogios os haveres inferiores de outros concorrentes, que chegam mesmo a se converterem em reverência aos que exibiram as posses mais raquíticas.   

A justificativa para que todos os candidatos a presidente, por imposição do TSE, tenham que declarar o seu patrimônio é que, caso sejam eleitos, se ao término dos respectivos mandatos exibirem um total de ativos muito acima do declarado e considerado incompatível com os vencimentos decorrentes do cargo que exerceram, levantem suspeições e possam ser investigados. É isso, apenas isso, mas a combinação da ignorância com a inveja, especialmente em períodos eleitorais, costuma ser explorada politicamente para fulminar quem é rico e endeusar quem é pobre, mediante a aplicação do terceiro teorema a que me referi e de seus corolários.

A imprensa adora falar mal de candidatos ricos, enquanto os órgãos para que trabalham enriquecem a custa de verbas publicitárias extraídas dos pagadores de impostos e jornalistas versados em desinformação recebem de partidos políticos polpudas bolsas-militância. O mesmo sucede com artistas metidos a intelectuais, sempre a fiscalizar a riqueza alheia, ao mesmo tempo em que ganham o seu “detestável” dinheiro em mecanismos que lhes são convenientes, como as leis rouanets da vida ou cachês em showmícios repletos de bandeiras vermelhas. 

Para essa gente, pouco importa que Amoêdo (ou qualquer outro) tenha enriquecido honestamente, por meio de estudo e esforço pessoal, porque o que é relevante é que ele é rico e, portanto, merecedor de uma chuva de pedradas. 

Observando tudo isso, é fácil concluir que o limite à ignorância é o infinito e constatar mais uma vez que a inveja é uma halitose da alma.