Artigo do Mês - Ano XXI– Nº 238 – Fevereiro de 2022

 

 

 

Diariamente, quando tomamos conhecimento do noticiário, certificamo-nos de que aquilo que já foi uma simples desconfiança passou a ser uma certeza: não é mais novidade para ninguém que o mundo está virado de cabeça para baixo. A sustentar essa triste verdade, duas outras constatações, a de que a baderna é proposital e a de que sua raiz é moral. E nunca é demais repetir: moral. O mundo está moralmente doente, boa parte de sua população ainda não se deu conta disso e continua a ser usada ingenuamente como massa de manobra.

Desde que Nietzsche decretou a morte de Deus, instalou-se um processo de aderência progressiva ao relativismo moral, com a quebra das barreiras entre o certo e o errado que, em nossa civilização, sempre foram delimitadas pela tradição judaico-cristã. O relativismo moral, que é a maior das pragas que assolam o mundo contemporâneo, passou a manifestar-se em todos os campos da ação humana, da economia à sociologia, da política ao direito, da psicologia à história, dos costumes às artes, da educação à informação e, até, em alguns setores da religião, de padres a pastores e rabinos “progressistas” que, em nome do bem, servem ao mal.

Nessa marcha rumo ao vale-tudo, que começou no final do século XIX, encontrou extraordinário impulso a partir do fim do século passado e parece ter atingido o apogeu nas primeiras décadas do presente, o certo e o errado passaram cada vez mais a ser considerados relativos, provocando um giro de 180 graus nos valores morais anteriormente aceitos, testados e aprovados: na economia, com Keynes, gastar passou a ser uma virtude e poupar um vício; na psicologia, com Freud, um homem com cinco amantes já não precisava sentir culpa, que passou a ser imputada à sua própria mãe, que o tornou dependente de carinho feminino; na política, com Stalin, Hitler e outros, os meios mais pérfidos tornaram-se justificáveis pelos fins totalitários; no direito, com Ferrajoli e outros, surgiram o garantismo e o ativismo, a mania de se interpretar a lei de acordo com as circunstâncias, sendo estas sempre movidas ideologicamente; a criminalidade passou a ser atribuída não aos criminosos, mas à “sociedade” (capitalista, naturalmente), os apelos ao sexo e a exibição generosa de corpos na internet, ao invés de motivo de escândalo como no tempo de nossos pais e avós, passaram a ser fonte de milhões de likes e engajamentos nas redes sociais, com substanciais retornos financeiros.  

No Brasil, essa marcha relativista invadiu os três poderes da república e hoje chegamos ao ponto de ter um ex-presidente condenado em três instâncias por corrupção e outros crimes, não apenas posto em liberdade, mas livre para concorrer nas eleições, para que possa voltar ao local dos crimes que ele e seu partido comprovadamente cometeram. E isso tudo “dentro da lei”, não a carta magna, mas a “lei” interpretada à maneira mais conveniente para moldar-se aos fins da turma.

A desinformação que assola o mundo, alimentada pela maioria gramsciana-frankfurtiana que controla os meios de comunicação, e bancada pelas big techs, estabeleceu, com bastante competência, uma linguagem que todos os que não têm o hábito de pensar sentem-se obrigados a utilizar, para não serem fulminados por olhares enraivecidos de indignação e passarem a ser perseguidos – cancelados - como marginais.

Um desses rótulos rútilos, nesse mundo enlouquecido, é o de acusar alguém de “conservador”, ofensa quase equivalente à de dizer que a mãe do rotulado exerce a mais antiga das profissões... Se você é um conservador no mundo de hoje, se é cristã, se é um economista que defende a responsabilidade fiscal do Estado, se é solteira e preza a castidade, então o relativismo moral esquerdista que assola o mundo, com sua baba bovina e elástica, afirma que você é fundamentalista e passam à perseguição e ao boicote, com diversos veredictos: é um retrógrado! É uma falsa moralista! Assim pensam sociólogos, jornalistas, psicanalistas, politicólogos, feministas, sindicalistas e outros vigaristas defensores do socialismo e do relativismo moral, dois flagelos que dependem um do outro.

Interessante é que ser conservador, para um cristão, é preservar e viver os ensinamentos de Cristo, que são eternos; para um economista, é defender a ética da poupança e do trabalho duro; para um cônjuge fiel, é seguir os padrões morais que forjaram nossa civilização; para um advogado, é a justiça; para uma mulher, é saber valorizar sua feminilidade. Ser conservador é simplesmente ser prudente na análise das mudanças que acontecem na sociedade, pesando-as e sopesando-as, aprovando-as caso produzam o bem e rejeitando-as se piorarem a harmonia social.

Vivemos um tempo estranhíssimo, em que os defeitos decorrentes da condição humana passaram a ser tratados bombasticamente como virtudes e estas a serem rotuladas de “conservadorismo” e, portanto, a ser vistas como defeitos. Os relativistas morais dedicam-se em tempo integral a jogar uns contra outros, homens contra mulheres, negros contra brancos, heterossexuais contra homossexuais, etc. e, naturalmente, defendem abertamente costumes contrários à moral tradicional, como o sexo fora do casamento, as ideologias de gênero e raça, as experiências com embriões humanos, as invasões de propriedades alheias, o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, as quotas para tudo (e não mais o mérito) e o aborto, o mais covarde dos assassinatos.

Na economia, defendem o Estado paquidérmico e gastador, sempre em nome de um “social” que lhes serve de camuflagem para as intenções obscuras de construir o “outro mundo possível”, isto é, o socialismo. Quem procura, dentro de suas limitações, defender e viver uma vida virtuosa é acusado de ser conservador, retrógrado, “falso moralista”, hipócrita e fundamentalista; mas quem desvirtua os princípios morais seculares, moldando-os ao marxismo, ou dedica-se aos prazeres do hedonismo, ou ainda, na economia, bate-se pelo predomínio do Estado sobre os indivíduos, ou passa a mão na cabeça de criminosos, culpando a sociedade por seus crimes, esse é considerado moderno, progressista e aberto. Ora, vão chupar pregos até que virem parafusos!

É preciso compreender que a aceleração do processo desagregador da sociedade que vem acontecendo recentemente não é à toa. Tudo é muito bem arquitetado para apodrecer todos os pilares da civilização ocidental, a saber, a família, a vida, a liberdade, a propriedade e o estado de direito, com vistas a servir a um intento criminoso, o de exercer a tirania.

Em outras palavras, os comunistas modernos (ou pós-comunistas), os bilionários das big techs, os mentores da nova ordem mundial e a imprensa que os embala não são canalhas por acaso. Sua canalhice tem método. É “cientificamente” planejada e vem sendo fielmente executada. Vale-se sub-repticiamente de milhões de inocentes úteis espalhados pelo mundo, devidamente doutrinados desde a infância para serem instrumentos de seus objetivos totalitários.

 

Telegram: @ubiratanjorgeiorio