Publicado na Edição 109

22 ABR 2022 - 11:31

É um erro subestimar esse combate, pois o que está em jogo é um conjunto de prerrogativas muito caras ao Ocidente

 

Está em curso uma verdadeira guerra, talvez a mais perigosa de todos os tempos, mas que parece ainda não ter sido devidamente identificada por muita gente, porque está sendo travada veladamente. Trata-se do duelo — ou, como está na moda dizer, da “polarização” — entre os globalistas, defensores de um governo mundial centralizado, em que os conceitos de nação, liberdade e propriedade são relativizados sob o pretexto, sempre sedutor, da promoção do bem da humanidade, e os soberanistas, contrários a essa visão, que sustentam a importância da preservação da autonomia de cada nação e dos direitos naturais.

Publicado na Edição 107

08 ABR 2022 - 11:41

Quais serão os efeitos econômicos e geopolíticos das sanções aplicadas à Rússia em um mundo ainda convalescente da pandemia e contaminado pela inflação de preços?
 
 

Desde que, estimulada por algumas provocações dos globalistas da Otan, a pendenga entre Rússia e Ucrânia culminou na tentativa de ocupação do território ucraniano por tropas russas, os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Japão vêm seguidamente anunciando fortes sanções contra a Rússia. Entre elas, o embargo de títulos da dívida pública nos mercados internacionais, a remoção de vários bancos do sistema Swift (sigla para Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, a plataforma mais importante do mundo para a transferência de valores), proibições de transportes de commodities por terra, mar e ar, congelamentos de ativos de indivíduos, de seus familiares e empresas, além da suspensão ou mesmo o encerramento das operações de grandes companhias globais na Rússia.

Isso implica uma questão importantíssima: quais serão os efeitos econômicos e geopolíticos desse pacote de sanções, o maior de que se tem notícia, em um mundo ainda convalescente da pandemia e contaminado pela inflação de preços? Qualquer resposta precisa ainda é prematura, mas é factível antecipar um cenário — da mesma forma que é possível para um motorista em uma estrada escura e com neblina ver e tentar identificar os vultos que está enxergando metros à frente. É certo, então, que algo está mudando.

Publicado na Edição 98

04 FEV 2022 - 11:47

Políticos quase sempre vivem em disputa com os economistas do governo, principalmente quando estes são liberais, defensores, portanto, das privatizações e de uma menor carga tributária

 

“Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga.
Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.”
Ronald Reagan

 

“Émelhor não contestar, foi uma decisão política da diretoria.” É muito provável que o leitor já tenha ouvido conselhos desse teor em sua empresa ou em uma repartição pública. Esse clichê é a aceitação de que uma “solução política”, uma vez decretada, mesmo quando descabida, dificilmente é revertida, porque decorre do exercício de algum poder — o que a sobrepõe às melhores soluções técnicas.

Publicado na Edição 101

25/02/2022 - 11:31

O que vamos decidir em outubro é se valorizamos de fato nossa liberdade ou se aceitamos ser escravizados por uma ideologia que só produz igualdade na miséria

 

 

Em 13 anos, eles devastaram a economia, a política e a ética. Agora, querem voltar, e seu patético pré-candidato à Presidência — sempre rodeado por um séquito de pajens — vem revelando o que pretende fazer caso retorne ao poder. Se você ainda não prestou atenção em seu lero-lero, é bom ficar esperto, porque são declarações de intenções — recorrentes e explícitas — de que, em nome de sua democracia popular de mão única, completará o serviço sujo que foi interrompido em 2016 e lançará o Brasil em uma aventura socialista. Tratam o país apenas como mais um membro da “Pátria Grande” que povoa seus anseios utópicos, uma fantasia que até hoje só produziu fome, miséria, escassez e escravidão no mundo, mas que mesmo assim insistem em replicar, a exemplo do que alguns países vizinhos vêm fazendo.

Publicado na Edição 95

14 JAN 2022 - 10:50

 

Considerando a baderna e os problemas econômicos estruturais e os conjunturais

postos pela pandemia, o que devemos imaginar para o ano que começa?

 

 

Passados os foguetórios laudatórios do Ano-Novo, é tempo de enfrentar os apuros futuros da nova época, tarefa que exige, no campo macroeconômico, entre outras coisas, matutar sobre o que se pode esperar dos comportamentos da economia, da inflação de preços e do emprego. Escrevi propositalmente “matutar” — no sentido de meditar ou refletir —, e não “estimar” ou “prever” —, porque aprendi com a Escola Austríaca quanto é imprudente confiar cegamente em previsões geradas por modelos econométricos, por não se coadunarem com o mundo real, em que os indivíduos não se comportam como objetos, tal como esferas que fazemos deslizar em planos inclinados, ou frutas que lançamos repetidamente do alto de torres, para então quantificar suas reações.