Publicado na Edição 147

13 JAN 2023 - 10:27

 

Pandemia, guerra na Ucrânia, perturbações energéticas: nada foi capaz de

impedir a subida da economia brasileira, que estava 'com os dias contados'

Um mito bem conhecido da Grécia antiga é o de Sísifo, considerado o mais inteligente e astuto dos mortais, mas que — certamente por julgar que essas suas qualidades o dispensariam de qualquer atitude de humildade — ousou desafiar e tentar iludir os deuses, o que lhe valeu uma punição terrível: rolar eternamente com as mãos, montanha acima, uma enorme pedra de mármore. Sempre que estava perto de alcançar o cume, extenuado pela faina sobre-humana, uma força avassaladora fazia a pedra rolar novamente morro abaixo até o ponto de onde partira, jogando fora todo o imenso esforço despendido. É desse mito que vem a expressão “trabalho de Sísifo”, utilizada para designar aquelas tarefas que exigem esforços repetitivos penosos e irremediavelmente fadados ao fracasso, em infindáveis ciclos que alternam esperança e frustração e sem qualquer possibilidade de tentativa de recusa ou desistência. 

Publicado na Edição 139, de 18/11/2022

 

A presente crise econômica é séria e é uma das maiores e mais

graves desde o golpe republicano acontecido há 133 anos

 

Assim que o TSE divulgou o resultado do segundo turno da eleição, caiu uma chuva torrencial de incertezas em todo o país. Um grande aguaceiro, mais parecendo um dilúvio, que formou rapidamente um mar perigoso em que, atiçados pelos ventos da falta de transparência, da violação da liberdade de expressão, da falta de espírito público e da obtusidade econômica do grupo declarado vencedor, navegam perigosamente os barcos da dúvida e da insegurança.

Publicado na Edição 126 

19 AGO 2022 - 10:24

O que estará em jogo nas eleições de outubro é algo muito mais grave e profundo do que uma

simples escolha entre candidatos. A opção será quanto ao tipo de sociedade que desejamos

 

Estamos a poucas semanas das eleições presidenciais mais importantes da nossa história, em que estará em jogo algo muito mais grave e profundo do que uma simples escolha entre candidatos, porque a opção a ser feita — de enormes consequências de longo prazo — será quanto ao tipo de sociedade que desejamos para nós e, principalmente, para as gerações futuras. Não será uma seleção meramente política, entre direita e esquerda, ou simplesmente econômica, entre liberais e intervencionistas, mas, sobretudo, uma decisão moral, entre dignidade e indignidade, liberdade e servidão, mérito e malandragem, trabalhar na semeadura e esperar que frutos despenquem da árvore estatal.

Escolher representantes é sempre uma escolha moral, mas neste ano será muito mais. É importante, portanto, que os eleitores conheçam as implicações do que vão digitar naquela urna que tem sido motivo de tantas querelas e novelas, mas que, segundo a autoridade eleitoral, é uma versão moderna (embora de primeira geração) do dístico da encantadora cidade do Porto, em Portugal: mui leal e invicta, ou seja, confiável e inexpugnável.

Publicado na Edição 129 

09 SET 2022 - 04:29

Seus efeitos negativos sobre a democracia, a economia e a política destroem

a maioria das forças responsáveis pela cooperação social e pela estabilidade institucional.

 

Quando levamos uma xícara de café quente à boca, a precaução, ativada pela lembrança de alguma queimadura pretérita na língua, nos ensina a começar por um pequeno sorvo, para sentirmos se continuamos a beber ou esperamos um pouco. Antes de entrarmos em uma piscina, é sempre aconselhável checarmos a temperatura da água, para evitarmos sensações desagradáveis. Da mesma forma, a prudência nos recomenda colocarmos agasalhos na mala que vamos levar em uma viagem para a Serra Gaúcha.

Esse comportamento defensivo, quase sempre intuitivo, está presente na maior parte dos atos econômicos e manifesta-se tão mais fortemente quanto maior for a sua importância. Não precisamos de nenhuma cautela quando compramos um pãozinho, mas temos de tomar algum cuidado quando encomendamos uma adega pela internet, e necessitamos ter muita atenção antes de uma transação imobiliária. Todas as decisões relevantes, portanto, exigem cuidados em busca de menos incerteza e mais segurança.

Publicado na Edição 124

05 AGO 2022 - 10:58

 

O que faz as economias voarem é a ação humana descentralizada, por parte de uma

infinidade de pessoas que, na maioria dos casos, nem se conhecem

 

“Assim como um agricultor não gera os frutos, mas cuida do solo para que seja fértil e produtivo,um Presidente não cria empregos, mas trabalha para tornar o ambiente fértile favorável para a iniciativa privada, que é quem realmente gera. É exatamente isso que estamos fazendo.”
Jair M. Bolsonaro, no Twitter, em 28/7/2022

 

Senti um jato de alegria, uma indescritível sensação de “valeu a pena”, quando deparei com a frase em epígrafe, poucos minutos depois de ser postada pelo presidente. Reli várias vezes para certificar-me de que era aquilo mesmo. Jamais havia sequer cogitado que um dia veria um chefe de Estado brasileiro descrever com tanto acerto e concisão a essência do seu papel. E, ao procurar outros exemplos no mundo inteiro, lembrei-me de apenas dois governantes, nos últimos 50 anos, que demonstraram a mesma percepção e se esforçaram para segui-la à risca: Ronald Reagan e Margaret Thatcher.