11/01/22

Há uma batelada de influencers, os chamados influenciadores digitais, espalhados nos diversos aplicativos da rede. Gente com dezenas e centenas de milhares – e não poucos, com milhões - de seguidores. Como quase sempre acontece quando se trata de inovações tecnológicas, isso tem dois lados: o primeiro, positivo e bem-vindo, é o da abertura de canais de comunicação para pessoas talentosas, mas sem espaço na mídia tradicional, que de outra forma não se tornariam conhecidas; e o segundo, negativo, é o mau uso, por parte de parcela desses influenciadores, da ascendência de que passaram a desfrutar, às vezes mais rapidamente do que seria natural, sobre muitas mentes imaturas e ainda em formação e, portanto, passíveis de serem iludidas por aqueles que consideram o seu guru.  

Seria desejável que todos os que, por mérito, competência ou qualquer outro motivo aleatório, conseguiram atingir um público amplo, tivessem consciência da responsabilidade implicada por essa condição. Na verdade, não poucos mostram compromisso com esse dever moral, o que é muito bom. Porém, infelizmente, também muitos demonstram diariamente - e frequentemente várias vezes por dia - essa falta de responsabilidade com a formação de jovens, desleixo que se torna mais grave quando se sabe que a proporcionada pelas escolas e universidades, nestes tempos estranhos, deixa demais a desejar.

O resultado desse comportamento é a sua influência perversa sobre milhares de mentes ainda verdes e não lapidadas pelo estudo sistemático e pelas agruras da vida. O que acontece é que muitos desses influencers são também jovens imaturos e, por isso, se deixam levar pela vaidade, o que os conduz à arrogância de imaginarem-se mais sensacionais do que são; outros tantos conseguiram, de alguma forma, ganhar um bom dinheiro e por isso passaram a se julgar superiores, como se fossem os únicos racionais da face da terra, seguidos por hordas de orangotangos; outros, ainda, conseguiram ganhar fama utilizando-se de recursos como apelos à sexualidade, a agendas progressistas ou, mesmo, porque pegaram carona na contrarrevolução liberal e conservadora que vem acontecendo.

Porém, a característica mais comum que encontramos nesses tipos é a falta de pudor intelectual, que os leva a se manifestarem, opinarem, criticarem, darem cartas, enfim, sobre qualquer assunto, sem ao menos desconfiarem que, às pessoas maduras, basta ler poucas de suas frases para perceberem que são intelectuais de fachada.   

Que tal baixar a bola, vestir as havaianas da humildade e estudar mais, moçada?

 

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