Blog do Bira

03|2022|20/01/22

 

 

Essa questão do reajuste dos servidores públicos é um exemplo de ausência de compromisso com qualquer responsabilidade.  Como se sabe, o governo prometeu – por razões políticas e de que podemos discordar - reajustes aos policiais da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Penitenciário Nacional. Os recursos para tal foram contemplados no Orçamento da União de 2022, com uma dotação prevista de R$ 1,79 bilhão. Isso levou as outras categorias de funcionários públicos, com o argumento - economicamente injustificado, porém juridicamente legal - da “isonomia”, a pressionarem para também se beneficiarem, embora não exista previsão orçamentária para esses reajustes.

Brandindo o argumento da isonomia e alegando que o governo teria cortado os recursos necessários para que seus salários fossem reajustados, os funcionários da Receita Federal encenaram um estranho espetáculo de entrega de cargos comissionados à disposição, copiados sucessivamente pelos servidores do Banco Central, em um movimento reivindicatório de reajustes gerais, coordenado pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que enfeixa 37 associações sindicais e diz representar mais de 200 mil servidores.

Do ponto de vista estrito da economia, é preciso salientar que chega a ser impatriótico defender esses reajustes, por muitas razões: (a) a economia ainda não saiu de uma pandemia que obrigou o governo a desviar-se de suas metas fiscais; (b) os servidores públicos já são “brasileiros especiais”, por terem estabilidade; (c) seus salários, mesmo sem reajustes há anos, situam-se muito acima da média dos salários do setor privado; (d) quem trabalha na iniciativa privada - os “brasileiros comuns” - podem perder seus empregos e seus eventuais reajustes não dependem de decisões políticas, mas da sua própria produtividade e da receita da empresa; (e) a austeridade fiscal é mais necessária do que nunca, porque, juntamente com o caminho liberal que o governo se propôs a seguir, não apenas assegura que o Brasil quer andar de fato para frente depois de toda a destruição causada pela pandemia, como é decisiva para a reeleição do Presidente.

Se, pelo enfoque econômico, o timing desse movimento de sindicatos é o pior possível, cheirando a sabotagem e chantagem, olhado pelo ângulo da política é claramente uma demonstração de que se trata de um embuste, um ardil para desgastar o governo e atrair votos para os eternos candidatos dos sindicalistas que dizem representar os servidores, mas que nada mais são do que departamentos dos partidos de esquerda, inteiramente aparelhados e comprometidos.

 

Instagram: @ubiratanjorgeiorio